Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Ramiro, em Lisboa: o maravilhoso mundo do marisco português

Este clássico com mais de 60 anos ficou famoso no mundo todo depois da visita do Anthony Bourdin, mas, além das filas, quase nada mudou (ainda bem!)

Por Rachel Verano Atualizado em 6 mar 2020, 14h24 - Publicado em 9 mar 2018, 08h35
Panelinha de amêijoas a Bulhão Pato: imperdível
Panelinha de amêijoas a Bulhão Pato: imperdível Bruno Barata/Reprodução

Santola. Sapateira. Berbigões. Búzios. Lambujinhas. Percebes. Amêijoas. Aaaaaaah, amêêêêijoas…

Os esquisitões (e deliciosos) percebes: gosto de maresia
Os esquisitões (e deliciosos) percebes: gosto de maresia Bruno Barata/Reprodução

O universo dos frutos do mar português guarda muitos segredos. Alguns fofinhos e inofensivos, outros de aparência tenebrosa e desafiadora. O melhor ambiente para desvendá-los? As clássicas “cervejarias”.

A brigada sempre a postos: tudo fresquinho
A brigada sempre a postos: tudo fresquinho Bruno Barata/Reprodução

Cervejaria é sinônimo de marisqueira em Portugal. E o ambiente é quase sempre o mesmo: luz branca, aquários gigantes, garçons a mil, barulho, cheiro de mar. Troque o charme pela experiência. E aqui ela é quase sempre antropológica.

Aquário de lagostas: decoração da casa, ao lado de painéis de azulejos da Viúva Lamego
Aquário de lagostas: decoração da casa, ao lado de painéis de azulejos da Viúva Lamego Bruno Barata/Reprodução

Com mais de 60 anos de história e uma localização duvidosa, na Almirante Reis, a Cervejaria Ramiro é um clássico. Há décadas que é a grande referência em mariscos e frutos do mar em Lisboa, mas desde que Anthony Bourdin fez uma visitinha e abriu seu episódio sobre Lisboa por lá, na companhia dos chefs Henrique Sá Pessoa e José Avillez, que a casa vive uma espécie de surto turístico. Um surto que não passa, diga-se.

Ostras do Algarve: para abrir os trabalhos
Ostras do Algarve: para abrir os trabalhos Bruno Barata/Reprodução

Filas que ocupam a calçada, chamadas por senha, esperas de mais de uma hora são comuns aos finais de semana. A pedida é arriscar um horário nada a ver, aproveitando que a casa funciona ininterruptamente do meio-dia à meia-noite (fecha às segundas!). Estive lá nesta quarta às 15h e voilà! Mesa na hora, serviço tranquilo, os mesmos frutos do mar impecavelmente preparados de sempre.

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Alvarinho do Minho: o acompanhamento perfeito
Alvarinho do Minho: o acompanhamento perfeito Bruno Barata/Reprodução

Embora o menu hoje em dia seja um iPad e a fila de espera seja gerida por painéis eletrônicos, o lado hi-tech para por ai. Viveiros mantém os animais vivos no subsolo para que eles cheguem fresquíssimos à mesa, preparados de maneiras ultra tradicionais: com azeite, com alho, ao natural.

  • Gambas a la Aguilho: chegam borbulhando à mesa
    Gambas a la Aguilho: chegam borbulhando à mesa Bruno Barata/Reprodução

    Nossa orgia começou com ostras. Grandes, carnudas, vindas do Algarve e acompanhadas apenas de limão siciliano. Na sequência aterrizaram percebes morninhos, aqueles mariscos negros que lembram uma minipata de dinossauro. A sensação é a de mastigar a maresia. Para acompanhar, vinho verde da casta alvarinho, a grande estrela do Minho.

    Pose com a santola escolhida
    Pose com a santola escolhida Bruno Barata/Reprodução

    E então chegou a hora das amêijoas (vulgo vôngole), a minha grande paixão. À Bulhão Pato elas vêm com um molhinho à base de alho e vinho. E coentros, ou não estaríamos em Portugal. Pedimos uma. E depois outra.

    E a santola preparada: bela surpresa
    E a santola preparada: bela surpresa Bruno Barata/Reprodução

    A festa ainda continuou com gambas a la aguilho (fritinhas ao alho e óleo) e santola, um caranguejo gigante que primeiro é apresentado ao vivo e a cores e depois de poucos minutos chega preparado à moda da casa: cozido e com uma pastinha feita com a carne. Foi a estrela do dia (depois das amêijoas, sempre).

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