Pandemia em Portugal: de volta ao lockdown

Com números recordes, o país volta pra casa por, pelo menos, mais um mês. É a primeira vez desde o fim do primeiro confinamento, em maio

 (Glen Carrie/Reprodução)

Depois de 8 meses de medidas mais flexíveis, desde que o confinamento total foi abolido, em maio do ano passado, Portugal amanheceu em lockdown novamente na sexta-feira (15). Mais um período de constantes dias da marmota. A volta dos que não foram. A razão principal: com as medidas mais liberais adotadas para o Natal e o Ano Novo, os números dispararam no país, com novos recordes a cada dia e novos casos diários frequentemente acima dos 10 mil – vale lembrar que, entre março e setembro, o maior número diário foi de 1.516, registrado em abril. Tremo só de pensar na situação real do Brasil depois de um verão insano.

A chegada da vacina fez imperar uma dose de otimismo sem precedentes, mas nunca é tarde para lembrar: a pandemia não acabou, apesar de tanta gente agindo como se não estivéssemos mais diante de um problema (alô, Brasil?). Dar um passo deste tamanho para trás é frustrante, sim, mas necessário. Especialmente porque o plano de vacinação prevê praticamente o ano todo até que a população seja 100% vacinada, na melhor das hipóteses. E os hospitais nunca estiveram tão abarrotados.

Fuéééé. Fecham novamente os restaurantes, os cafés, as academias e qualquer forma possível e imaginável de aglomeração. Fecham os cabeleireiros, as piscinas públicas e os estúdios de yoga e pilates, mesmo com aulas individuais. Fecham os shoppings, fecham as lojas. O dever geral de recolhimento domiciliar vale para todo o país. O que isso significa? Que só é permitido sair de casa por extrema necessidade, como comprar comida, medicamentos ou comparecer a compromissos médicos. Também é permitido sair para praticar exercícios ao ar livre – sozinho ou, no máximo, com as pessoas que moram na mesma casa. E só. O home office passa a ser novamente obrigatório, sob pena de multas altíssimas para quem não cumprir.

Desnecessário dizer: adeus, viagens. A Serra da Estrela está coberta de neve, as praias da costa alentejana estão mais lindas do que nunca (amo praia no inverno), os hotéis preparavam grandes promoções para long stays. As fronteiras por ora não fecham, ainda que a Inglaterra tenha fechado para Portugal por motivos de… variante brasileira do vírus. Pois é, ela não foi registrada por aqui ainda, mas a relação próxima de Portugal e Brasil justificou a polêmica medida. De toda forma, a determinação é clara: ficar em casa. A medida vale oficialmente por 15 dias, mas será renovada por mais 15, pelo menos – o governo já avisou. A diferença agora (e grande motivo de divisão de opiniões pelo país) é que as escolas estão abertas. O governo português aposta no baixo índice de contaminação no ambiente como justificativa. É esperar para ver.

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