Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Manual para quem quer morar em Portugal – parte 2

Tudo o que você sempre quis saber sobre viver do lado de cá do Atlântico - mercado de trabalho, salários, custo de vida, imóveis...

Por Rachel Verano Atualizado em 2 jul 2021, 15h04 - Publicado em 30 nov 2020, 12h00
Vista de Lisboa: ao fundo, o Tejo e a Ponte 25 de Abril
Vista de Lisboa: ao fundo, o Tejo e a Ponte 25 de Abril Bruno Barata/Reprodução

No último post, publicamos a primeira parte da entrevista com Flávia Motta, da Lisboa à Beça, carioca expert em migração e mercado imobiliário para brasileiros em Portugal – leia aqui! A seguir, continuamos o nosso papo mergulhando em temas práticos do dia a dia: mercado de trabalho, média salarial, custo de vida, valores de imóveis…

  • Flavia Motta nas ladeiras de Lisboa: raio-X do que os brasileiros buscam por aqui
    Flavia Motta nas ladeiras de Lisboa: raio-X do que os brasileiros buscam por aqui Arquivo pessoal/Reprodução

    O que chama mais a atenção do brasileiro em Portugal?

    A qualidade de vida e a segurança. É inegável. Eu ainda fico chocada – há duas semanas meu carro dormiu na rua com a chave na ignição. E nada aconteceu. É o que mais impacta as pessoas. E a tranquilidade, também, que não tem só a ver com a  segurança. As pessoas são menos bélicas e menos agressivas, de maneira geral. No Brasil, especialmente neste momento, as emoções estão muito à flor da pele.

    Como é o mercado de trabalho em Portugal?

    As coisas aqui são mais easy going. As pessoas trabalham num outro ritmo, o almoço dura uma hora e meia, duas horas. O brasileiro tem mais o mindset americano, business, business, business. Aqui não é assim, e olha que o português tem fama de trabalhar mais do que o resto da Europa. Eu sempre digo pro brasileiro: você precisa vir sem pressa. E precisa ter em mente: em termos de carreira, na maior parte das vezes você vai andar para trás, pelo simples fato de que ninguém te conhece, você não é referência de nada!

    E os salários?

    A realidade salarial é um choque pro brasileiro. O salário médio de Lisboa é de 800 Euros. É mais que o salário mínimo (que atualmente é 635 Euros), mas também não dá para nada. Os ganhos todos são muito menores. E as margens de lucro são muito menores também, tem muito imposto para pagar. Resumindo: os salários são muito menores em todas as áreas, é difícil pagar as contas. É uma queixa real. Muita gente deixa de fazer o que fazia para bancar estar aqui.

    Alguma profissão ou área em alta? 

    A área de TI costuma ter os melhores salários daqui. Ainda assim, os salários no Brasil são maiores. Por que é interessante vir, então? Pela experiência no exterior, de trabalhar em multinacionais, de ser uma porta de entrada para o resto da Europa. Além da área de TI, que tem uma demanda grande, outra área promissora é a da cozinha. Mesmo que a pandemia tenha fechado muitos endereços, muita coisa surgiu nos últimos anos. E há muita oportunidade para quem vai começar alguma coisa, empreender. As oportunidades estão por toda parte. Há muitos imóveis vazios disponíveis para venda ou locação.

    Há muitos brasileiros empreendendo em Portugal?

    Sim, o brasileiro tem trazido novos negócios para cá. Padaria artesanal, fábrica de coxinha, loja só de pudim, de brigadeiro, confeitarias de bolos bonitos de aniversário, coisas que não eram comuns aqui.

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    Praia nos arredores de Lisboa: sempre em alta entre os brasileiros
    Praia nos arredores de Lisboa: sempre em alta entre os brasileiros Bruno Barata/Reprodução

    Quais são os lugares mais procurados pelo brasileiro que quer morar em Portugal?

    Eu posso falar de Lisboa e arredores, que é onde trabalho. O brasileiro adora ficar perto da praia. Tem muita demanda por Cascais, Parede, Carcavelos… Em Lisboa, há uma questão no centro que o brasileiro não gosta: os imóveis são velhos e geralmente não têm os confortos que ele acha muito básicos (por exemplo, elevador, garagem, dois banheiros). Ter estas comodidades reflete nos preços. Aqui você também tem menos espaço, as casas são menores. Mais: brasileiro não gosta de ladeira! Os bairros mais procurados são as Avenidas Novas (Saldanha) e Campo de Ourique.

    O momento é bom para comprar imóvel em Portugal?

    Desde o ano passado vínhamos num processo de estagnação de valores. No primeiro semestre teve um momento de pânico, mas houve um assentamento da pandemia e está todo mundo esperando. As pessoas estão comprando, mas sem a pressa de antes. O lado comprador está esperando uma grande baixa de valores. Mas o lado vendedor não está disposto a baixar tanto. Vamos encontrar um caminho do meio. Sem grandes descontos e sem grandes concessões de ambos os lados. Para o comprador, vai estar um pouco melhor do que dois anos atrás. 

  • Quanto custa um apartamento de dois quartos no centro de Lisboa, por exemplo?

    Numa zona nobre, a partir de 450 mil, 500 mil euros. Numa zona menos nobre, mas ainda assim interessante, a partir de 270 mil, 300 mil euros. Uma coisa que pouco brasileiro conhece é a possibilidade de conseguir crédito aqui mesmo sem morar, sem ter cidadania ou fazer dinheiro aqui. Basta comprovar renda!

    E quanto custa o aluguel de um apartamento de dois quartos também no centro de Lisboa?

    A partir de 850, até 1.000 euros por mês. O aluguel é a maior incerteza do momento. Existe muita expectativa de baixa de preço.

    Como dimensionar o custo de vida de um casal de classe média vivendo em Lisboa?

    Eu diria que com 2.500 Euros dá para ter algum conforto – sair para jantar uma vez por semana, poder ir ao supermercado com mais folga, viajar de vez em quando…

    Leia aqui a primeira parte da entrevista com Flávia Motta sobre morar em Portugal

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