Além-mar Rachel Verano rodou o mundo, mas foi por Portugal que essa mineira caiu de amores e lá se vão, entre idas e vindas, quase dez anos. Do Algarve a Trás-os-Montes, aqui ela esquadrinha as descobertas pelo país que escolheu para chamar de seu

Fialho, em Évora: um restaurante imperdível no Alentejo

Pratos de caça, bacalhau, carnes que derretem na boca... Anote este nome para provar as maiores delícias da região

Por Rachel Verano Atualizado em 9 out 2019, 14h16 - Publicado em 2 nov 2017, 19h35
A entrada do restaurante: viagem aos melhores sabores de Portugal
A entrada do restaurante: viagem aos melhores sabores de Portugal Bruno Barata/Reprodução

A primeira vez que ouvi falar do Fialho faz mais de dez anos. Foi recomendado, na altura, como “o melhor restaurante do Alentejo”. Não foi difícil entender os motivos. E depois de uma sobremesa chamada “ovos moles ferrados do Convento de Santa Clara”, uma espécie de créme brûlée com a casquinha crocante e, por cima, gotinhas de limão, eu passei a fazer coro aos quatro cantos: aquele era mesmo o melhor restaurante do Alentejo.

Um dos salões do restaurante: desde 1945
Um dos salões do restaurante: desde 1945 Bruno Barata/Reprodução

Anos depois, um upgrade. Fernando Henrique Cardoso o citou, em entrevista a uma revista semanal brasileira, como o melhor restaurante do mundo. Há poucos meses, uma amiga que dirige uma revista de lifestyle em Portugal me revelou empolgada os planos para o dia seguinte: ir comer ao melhor restaurante de Portugal. Pimba, era o Fialho.

E então chegou a hora de voltar ao Alentejo. Mais precisamente a Évora, a casa do Fialho (a cerca de uma hora de distância de Lisboa). Eu sei que a memória afetiva de viagens é capaz de muitos exageros, e eu precisava saber se aqueles sabores do campo ainda iam me balançar.

O balcão de entradinhas: belo começo
O balcão de entradinhas: belo começo Rachel Verano/Reprodução

O Fialho sempre foi famoso pelo desfile de entradinhas deliciosas. Aspargos selvagens com ovos, cogumelos, salada de polvo e queijinhos amanteigados engordam a lista. Puxei pela memória e logo pedi o primeiro sabor que me fez morrer de amores na minha estreia por lá: empadas de caça com a massa finíssima e macia e o recheio bem molhadinho. Continuavam fenomenais.

A impecável sopa de cação: prato tipicamente alentejano
A impecável sopa de cação: prato tipicamente alentejano Bruno Barata/Reprodução

Na sequência, sopa de cação. A quantidade de coentros dava um frescor divino.

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Bochechas de porco ao vinho tinto: derretiam na boca
Bochechas de porco ao vinho tinto: derretiam na boca Bruno Barata/Reprodução

Bacalhau assado, perna de cabrito com batatinhas, arroz de lebre, costeletas de cordeiro… A lista de pratos principais só dificulta a escolha. Acabei optando pelas bochechas de porco preto em molho de vinho tinto, acompanhadas de arroz selvagem. Derretiam na boca.

Ovos moles ferrados: cremoso, quentinho, inesquecível
Ovos moles ferrados: cremoso, quentinho, inesquecível Bruno Barata/Reprodução

A sobremesa veio em dose dupla: os tais ovos moles ferrados (que já não faziam referência ao Convento de Santa Clara no cardápio), cremosos, quentinhos, coma crosta finíssima e crocante e o bendito toque de limão… e um pão de rala, à base de gila, uma espécie de abóbora. Gran finale.

Pão de rala: boa aposta, mas perto dos ovos moles fica apagadinho
Pão de rala: boa aposta, mas perto dos ovos moles fica apagadinho Bruno Barata/Reprodução

Se é o melhor do Alentejo, de Portugal ou do mundo não sei dizer. Mas é seguramente um dos melhores do meu mundo português. A quem interessar possa: a carta de vinhos é extensa e bem curada. Boa oportunidade para mergulhar no intenso universo dos tintos alentejanos.

Detalhe de uma das mesas
Detalhe de uma das mesas Bruno Barata/Reprodução

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