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A arquitetura paulistana num papo edificante com Arthur Casas

Por Bruno Favoretto Atualizado em 27 fev 2017, 15h15 - Publicado em 26 ago 2015, 20h57

Zé Simão o chamaria de predestinado, no megabom sentido, aliás.

O cara mantém escritórios em São Paulo e Nova York.

O avô dele é cofundador do Alto da Lapa; ele adotou o vizinho Pacaembu.

Falamos de Arthur Casas, que aqui comenta a arquitetura da capital paulista. 

O que você mais gosta na capital paulistana em termos de arquitetura? Quais as obras que mais fazem brilhar os seus olhos?

São Paulo possui uma diversidade incrível, edifícios preciosos que se perdem em meio à banalidade generalizada. Apesar disso, são muitas as obras que impressionam, desde o conjunto de vários prédios em Higienópolis, como o Bretagne e o Louveira, até obras icônicas como a marquise do Ibirapuera ou o Sesc Pompeia.

Se compararmos com Europa, NY e até mesmo Buenos Aires e Montevidéu, a preservação histórica em SP é pífia. Brasileiro não considera arte a arquitetura?

Acho que a preservação não é pífia, existem coisas acontecendo, novos equipamentos culturais surgindo no centro, a exemplo Praça das Artes ou a própria Pinacoteca do Estado. Brasileiro adora arte e arquitetura, basta ver as filas quilométricas para exposições recentes. Quem não considera são os políticos que ainda não souberam dar a devida prioridade, e empresários que vendem péssima arquitetura. Sofremos com leis retrógradas e burocracia mais que ineficiente. O custo já está sendo alto, mas acho que estamos entrando num novo período de questionamento da preservação, de debates muito interessantes, como sobre o que fazer com o Minhocão, por exemplo.

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Quais arquitetos mais traduzem SP? Por quê?

Vilanova Artigas talvez seja aquele que melhor condensa São Paulo. Soube captar o espírito da cidade, a inventividade racional paulistana, que faz grandes gestos com poucos elementos, como a sede da FAU-USP.

Vê alguma perspectiva de preservação das obras paulistanas num futuro?

Claro, temos grandes obras que seguramente serão tombadas, um patrimônio modernista incrível. O problema não é a preservação e sim, a utilização. Não adianta ter casario histórico ou arquitetura moderna intocados se não houver uso, utilidade, vida. O centro de São Paulo tem um potencial magnífico, que começa a ser explorado, muito lentamente.

O que você acha da obra de Artacho Jurado? E do fato de ele não ter nenhuma formação específica?

Arquitetura se aprende com os pés. Caminhando, viajando, visitando edifícios, aprendendo com a experiência do espaço. Artacho Jurado foi genial, deixou uma obra comparável à de poucos arquitetos. É preciso resgatar sua memória com urgência. Como uma cidade como São Paulo, repleta de lições como as de Artacho, deixou-se converter num mar de pastiches neoclássicos, muitos assinados por arquitetos com formação mais que específica? Temos que olhar para trás, entender o que aconteceu e repensar a cidade que queremos.

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