BR-116 e BR-101: um raio-x sobre duas estradas que cortam o Brasil

Bom, um blog cuja proposta é apresentar histórias e dicas de lugares bacanas Brasil afora vai falar bastante de rodovias, podem estar certos.

Defendo com ênfase que, se a viagem é de férias e você tem tempo de sobra, faça uma boa revisão no carro e pise fundo no acelerador (ah, agora não esqueça de acender os faróis, os tiras estão multando a valer). Em geral nossas rodovias estão longe do primor técnico, mas nossa riqueza e transformação geográfica é tão intensa que faz valer o perrengue. Sem falar nos eventuais personagens que aparecem nos postos de parada, nas lojinhas e restaurantes à beira da estrada. Ou nas curiosas estações de rádio com seus paradões de sucesso.

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Resumidamente, falarei de duas rodovias que cortam o Brasil de norte a sul. Vou nessa sequência devido a quilometragem oficial. Iniciando na movimentada Fortaleza (CE) e morrendo, 10 estados e 4500 km depois, na pacata Jaguarão (RS), ao lado do Uruguai, a BR-116 é a grande rodovia brasileira, ligação interiorana entre várias capitais e quase sempre chapada de caminhões. Alguns segmentos valem a citação devido à beleza ou curiosidade.

Quem leu Os Sertões, de Euclides da Cunha, vai reconhecer a dramaticidade de Canudos, no trecho baiano entre Ibó e Tucano. Ao entrar no Rio de Janeiro, a BR-116 sai da movimentada Rio-Bahia (que vira BR-393) e segue para a capital, passando pela bonita Serra dos Órgãos – em Teresópolis, pare no Mirante do Soberbo e curta a vista. Também cênico, o trecho que começa na catarinense Lages e vai até Porto Alegre passa por várias cidadezinhas da Serra Gaúcha, algumas nem parecem ser brasileiras, devido às construções enxaimel e o sotaque alemão dos moradores.

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Vista soberba, heim!! Foto: Hugo Duarte/Wikimedia Commons

Vista soberba, heim!! Foto: Hugo Duarte/Wikimedia Commons

Com 4650 km, a BR-101 seria, em tese, a maior rodovia brasileira, mas há alguns trechos interpostos (quando a rodovia tem duas siglas) e essa quilometragem é questionável. O que não resta dúvidas é de sua importância turística, afinal é uma ligação pelo litoral – se bem que mar mesmo só é visto na Rio-Santos e entre Itapema e Palhoça, em Santa Catarina.

O Quilômetro zero é em um dos lugares mais curiosos de nosso litoral, o Farol do Calcanhar, em Touros (RN), ponto exato em que a orla brasileira para de crescer de sul a norte e vai para leste a oeste. Entre Natal e Rio de Janeiro, a estrada corta a região metropolitana de todas as capitais, exceto Salvador.

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A partir da capital fluminense começa seu trecho mais belo, todo pela orla, com lindas praias, mirantes e Mata Atlântica. O deslumbre acaba 500 km depois, em Bertioga, quando a estrada dá um tempo, reaparecendo apenas na divisa do Paraná com Santa Catarina.

Os derradeiros 230 km entre Capivari do Sul e São José do Norte são, de longe, os mais sossegados, carros quase não são vistos por aí. Passando ao largo do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, antes de ser asfaltado, esse trecho era um areião chamado “estrada do inferno”.

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