Sydney ou Melbourne? Um duelo entre as metrópoles da Austrália

Uma é mais boêmia, a outra é mais praiana; uma é mais gourmet, a outra é mais fit...

Rio ou São Paulo? Madri ou Barcelona? Fazer um fla-flu entre cidades supostamente “rivais” é quase inevitável. Na Austrália, claro, não é diferente. Com cerca de 4 milhões de habitantes cada, Sydney e Melbourne são as maiores metrópoles do país e seus moradores adoram confrontar seus pontos fortes.

Na dúvida, fique com as duas. Afinal de contas, as duas musas urbanas da Austrália estão separadas por um voo de pouco mais de uma hora que, comprado com antecedência, pode sair por uns US$ 100. Mas, caso queira planejar de antemão onde investir mais tempo (ou até dar uma moradinha), eis aqui uma pequena ajuda para decidir qual combina mais com você:

Estilo de vida

Para começo de conversa, as leis do estado de Vitória (cuja capital é Melbourne) são um pouco mais liberais do que as de Nova Gales do Sul (cuja capital é Sydney) quanto a álcool e tabaco. E no que isso interfere em nossas vidas? Um exemplo: enquanto em Melbourne é permitido beber e fumar em algumas praias, nas de Sydney bebida (incluindo aquela cervejinha amiga) e cigarro são vetados.

Ao mesmo tempo, enquanto os bares de Melbourne fervem de segunda a segunda, em Sydney grande parte da população está mais preocupada em dormir cedíssimo e acordar antes do sol raiar para correr/surfar/pedalar.

Obviamente, há quem madrugue para ficar fit em Melbourne e não faltam lugares para se acabar em Sydney (são cidades grandes, meu povo). Mas, em termos coletivos, dá para afirmar que Melbourne é mais boêmia e “europeia”, enquanto Sydney é mais saúde e endless summer. A combinação entre o dia de Sydney e a noite de Melbourne seria o mundo perfeito.

Howler, um dos muitos bares irresistíveis de Melbourne

Howler, um dos muitos bares irresistíveis de Melbourne (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Clima

Este é, provavelmente, o único quesito no qual a superioridade de Sydney é indiscutível. Em Melbourne, meteorologia é um esporte radical. No verão, pode haver dias de mais de 45 graus na sombra, seguidos de outros com máxima de 18 – e tudo isso pode rolar sem aviso prévio. Dias atrás, presenciei o momento exato em que, em uma tarde tórrida a 44 graus com ventos do deserto, a massa de ar mudou de direção e fez com que, em poucos segundos, a temperatura baixasse mais de 20 graus. Haja saúde. De quebra, ainda que o inverno não seja desesperadoramente frio, é chuvoso, cinza e um tanto depressivo.

Já em Sydney, o verão costuma ser mais ameno (não é muito comum que a temperatura passe de 32 graus centígrados), enquanto o inverno tem céu azul, pouca chuva e raros dias com menos de 15 graus.

Arquitetura

Ambas as cidades têm a sua coleção arranha-céus futuristas e edifícios históricos em estilo vitoriano. Em Sydney, porém, o skyline é com certeza bem mais impressionante. Já em Melbourne, há um número muito maior de casas antigas que preservam seus adornos em ferro forjado – e é impossível não morrer de amor por elas. E se por um lado Sydney tem a sua inigualável Opera House, Melbourne tem a biblioteca mais bonita da Austrália e uma elegância “europeia” (novamente) irresistível.

Esquina vitoriana e cheia de charme em Melbourne

Esquina vitoriana e cheia de charme em Melbourne (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

O impressionante skyline de Sydney

O impressionante skyline de Sydney (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Praias e paisagens

Do alto de quem tem algumas das praias urbanas mais espetaculares do mundo (e muitas outras espalhadas por parques nacionais a uma curta distância), moradores de Sydney falam com sarcasmo sobre as praias de Melbourne. Mas, verdade seja dita, a cidade se defende com St. Kilda e Elwood (as mais centrais) e não faz feio com as espetaculares areias de Point Leo e Gunnamatta, na espetacular Península de Mornington, a pouco mais de uma hora do centro. A cidade ainda está a um pulo dos famosos Doze Apóstolos, na Great Ocean Road, um dos cenários mais espetaculares da Austrália (ainda que seja mais “pavê” do que “panadá”).

Praia de Bronte, em Sydney, entre as mais bonitas do mundo na categoria “urbana”

Praia de Bronte, em Sydney, entre as mais bonitas do mundo na categoria “urbana” (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Caminhada de Elwood a St. Kilda com o skyline do centro financeiro de Melbourne ao fundo: vamos combinar que também não está mal

Caminhada de Elwood a St. Kilda com o skyline do centro financeiro de Melbourne ao fundo: vamos combinar que também não está mal (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Piscina pública com a praia de Bondi ao fundo: uma das covardias de Sydney

Piscina pública com a praia de Bondi ao fundo: uma das covardias de Sydney (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Tempo de viagem

Sydney é tão enorme e cheia de possibilidades, que é desses lugares onde qualquer tempo é curto. Além de ser uma metrópole em ebulição, repleta de museus, atrações diversas (aquário, zoológico, bairros charmosos), está cercada de parques nacionais e tem praias para encher uma vida. Pra ter uma boa ideia da cidade expandida (e não apenas do centro), uma semana é o tempo mínimo recomendável para estar ali. Para ver o básico de Melbourne, quatro dias são suficientes. Mas aí é que está. O melhor da cidade está em seus “lugarzinhos”: pubs, bares, bairros cheios de personalidade, mercados, restaurantes… Querendo, dá para ficar dez dias lá sem esbarrar no tédio.

O melhor Pho (prato típico vietnamita) da sua vida no restaurante Good Days, em Melbourne

O melhor Pho (prato típico vietnamita) da sua vida no restaurante Good Days, em Melbourne (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

Comida

A diversidade cultural da Austrália é seu maior trunfo gastronômico. Em ambas as cidades, dá para dar a volta ao mundo em um quarteirão degustando as culinárias (autênticas!) de países como Nepal, Grécia, Itália, Coreia, Japão, China, Malásia, Síria, Vietnã, Líbano, Tailândia… Dito isso, a “cultura” gastronômica é mais presente em Melbourne, que tem um dos melhores mercados públicos do país e vem se firmando como uma meca foodie do circuito internacional – não à toa, chefs internacionais (como o René Redzep do Noma de Copenhague) fincaram restaurantes “pop-up” na cidade nos últimos anos.

Para estudar inglês e trabalhar

Se a sua ideia é ter menos oportunidades de falar português para, dessa forma, desenrolar o inglês, Melbourne é definitivamente a melhor pedida. Não que não haja brasileiros por lá (estamos por toda parte da Austrália, assim como a praga do sapo-cururu). Mas, na capital de Vitória, ainda não temos o mesmo impacto de uma revoada de gafanhotos e não somos alvo de piada de programa humorístico (clique aqui para ver o que os impagáveis Bondi Hipsters têm a dizer a nosso respeito). Por outro lado, se a ideia for aproveitar o visto de estudante para trabalhar, costuma ser mais fácil conseguir trabalho em Sydney, o grande motor econômico da Austrália.

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