Sossusvlei: as maiores dunas do mundo, na Namíbia

Dunas avermelhadas colossais se estendem por uma área de 32 mil quilômetros quadrados, formando um dos ecossistemas mais antigos e inóspitos do mundo. Há quem diga que são as mais altas do mundo — algo bastante difícil de provar. Títulos à parte, o mar de areia cobre uma boa fatia do sul da Namíbia e abriga a atração mais fotogênica do país. Sossusvlei, propriamente dito, é apenas um dos vales posicionados entre as gigantes de areia, dentro do Namib-Naukluft Park. Mas todo o conjunto formado em torno do leito seco do rio Tsauchab acabou ficando conhecido com este nome, graças a um fenômeno que contribui para que o lugar seja ainda mais insólito.

 

“Sossus vlei”, numa mistura entre os idiomas nama e africâner (ambos falados no sul da Namíbia), quer dizer algo como “vale onde a água se acumula”. Em meio a tamanha aridez, o nome pode parecer piada – assim como as placas que alertam para possíveis inundações. Mas o fato é que, quando a temporada de chuvas pega forte nas montanhas Naukluft, onde nasce o rio Tsauchab, suas águas avançam pelo deserto e acabam estancadas entre as dunas, formando um lago de cor azulada. O fenômeno é cada vez mais raro, mas você nem precisa lamentar a sua ausência (para isso, sempre teremos os Lençóis Maranhenses). Afinal de contas, é na secura brutal da paisagem que mora o seu grande encanto.

 

Visitar o parque é o momento mais esperado de qualquer viagem pela região. Todos os hotéis dos arredores organizam expedições. No andBeyond Sossusvlei Desert Lodge, onde me hospedei (clique aqui para ver que espetáculo de lugar), o passeio é feito da forma mais ideal possível: a bordo de um 4X4 com ar condicionado, à prova de calor e poeira (senti compaixão ao cruzar com os grupos em carros abertos) e nas primeiras horas da manhã. Chegar a Sossusvlei assim que aparecem os primeiros raios de sol (lá pelas seis, ou antes) é fundamental não apenas para que você sobreviva ao calor de rachar catedrais (no verão, o mercúrio passa dos 40 graus centígrados lá pelas nove da manhã), mas para assistir ao glorioso espetáculo de luzes e sombras que a natureza se encarrega de projetar sobre a areia. Quem viu fotos de Sossusvlei no livro Gênesis, de Sebastião Salgado, saberá do que estou falando.

 

O passeio tem algumas paradas obrigatórias. Mas um ótimo lugar para estar logo ao amanhecer é a Duna 45. Sua crista forma um S espetacular e, na base, há algumas árvores extremamente fotogênicas. Além de bela, ela também é uma das mais acessíveis, já que fica perto da estrada (asfaltada), o que lhe poupa de uma caminhada extra antes da escalada — não é preguiça, é questão de sobrevivência. Se tiver que escolher uma para subir, eis uma boa pedida. Lembre-se de levar pelo menos dois litros d’água e esteja atento aos seus limites: andar na areia fofa sob calor extremo pode ser muito difícil.

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A espetacular paisagem do lugar que acabou ficando conhecido genericamente como Sossusvlei

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Formiguinhas humanas escalando a Duna 45 ao amanhecer

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Árvores guerreiras do deserto

 

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Respeito ao visual: pegadas só do lado direito

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A paisagem já perdendo o contraste, na medida em que o sol vai subindo

Estranho e espetacular em idênticas proporções, o lugar mais marcante do conjunto é Deadvlei, o “vale da morte”. Fincados no solo rachado pela aridez estão os fósseis de árvores centenárias artisticamente contorcidas. Cada ângulo rende uma imagem inusitada. Ao longe, seres humanos parecem formiguinhas escalando a Big Daddy, a duna mais alta do complexo, que desaba no vale de um topo de 350 metros. O lugar é capaz de transformar qualquer mortal num fotografo compulsivo em segundos. Mas fui tomada por uma sensação tão grande de estranheza – “Onde estou? Quem sou eu? De onde viemos? Estou acordada? Isso é real? – que fiquei ali no meio, parada, em silêncio, meio bestificada. Estar em qualquer deserto me provoca sensações intensas. Mas dessa vez a coisa beirou o assustador.

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Um casal mandando mal: esses dois se dirigiam a Deadvlei quando já estávamos batendo em retirada, perto do meio-dia. Nesse horário, o valor beira os 45 graus centígrados

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“Sala de estar” dos rangers em Deadvlei

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Obras de arte feitas de fósseis de árvores

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Quando a Biggy Daddy “desagua” em Deadvlei

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Solidão

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“Estou acordada? De onde viemos? Para onde vamos?”: pirando em Deadvlei

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Já postei essa foto antes, mas não resisto em repetir

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Mais um pouquinho de Deadvlei

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Tomando distância de Deadvlei

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Gigante de areia

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Texturas e constrastes nos arredores de Deadvlei

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Passado o transe, a proposta era tomar café da manhã por ali. Então seguimos até um pequeno bosque formado por árvores ressecadas onde ficam as mesas de piquenique do parque – outro lugar que não parece de verdade. Foi então que Félix, nosso adorável ranger, muniu-se de um avental, descarregou uma “caixa mágica” do nosso 4X4, montou uma mini cozinha e cozinhou para nós a céu aberto. Estou acordada? Isso é real? Por via das dúvidas, trouxe comigo um potinho com um punhado de areia.

Félix pilotando o fogão em pleno deserto

Félix pilotando o fogão em pleno deserto

Sossusvlei por conta própria

Ao contrário do que eu imaginava, visitar Sossusvlei é relativamente simples e viável de carro (econômico) alugado. O acesso ao parque é feito por Sesriem, a “cidadezinha” (ou seja, um posto de gasolina e alguns hotéis) mais próxima, aonde dá pra chegar com qualquer veículo, tanto vindo da África do Sul (ao sul) como da capital Windhoek (ao norte). De lá, ainda é possível seguir por cerca de 60 quilômetros por estrada de asfalto até o estacionamento dos carros “normais”. A partir desse ponto, só é possível continuar de 4X4. Para vencer os cinco quilômetros restantes até Deadvlei e outras atrações, há duas opções. A mais sensata é pegar o shuttle do próprio parque. Mas há quem se aventure a caminhar. No verão, pense mil vezes antes de fazer isso, e tenha em mente que você precisará de muita água. Para mim, que tenho um condicionamento físico ok, só o esforço de subir as dunas (tendo chegado lá de carro) já foi bastante intenso por causa do calor demolidor. Eu não teria sobrevivido para escrever este post se tivesse feito essa caminhada — MESMO. Dá para ter uma boa ideia do lugar em um dia. Mas vale ficar mais tempo para poder ver o amanhecer mais de uma vez. A entrada custa US$ 5,25 por pessoa e o shuttle US$ 6,5.

A estrada asfaltada (com visual espetacular) que leva até lá

A estrada asfaltada (com visual espetacular) que leva até lá

 

O melhor veículo para o passeio é um 4X4 com ar condicionado (à prova de poeira e calor)

O melhor veículo para o passeio é um 4X4 com ar condicionado (à prova de poeira e calor)

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