Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Sobre a compulsão de “compartilhar” uma viagem no Instagram e outras redes sociais

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h40 - Publicado em 15 jan 2014, 08h45

 

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Acabei de ler este texto, publicado no site do Lonely Planet. Resumindo em poucas palavras, ele prega o viajar analógico radical. “Real faces” ao invés de Facebook; mapas de papel ao invés de Google Maps; câmeras de filme ao invés de Instagram; livros de papel no lugar de e-books; rodinhas de violão ao invés de Ipod…

 

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O texto vem a calhar, justamente depois do primeiro final de ano da era Instagram que passei sossegada em casa, trabalhando, com um celular conectado no wi-fi 100% do tempo (em anos anteriores, estava em lugares remotos do mundo e operando compulsoriamente no modo off-line). Não é novidade pra ninguém, mas fiquei chocada com a fúria com que certas pessoas compartilham seus momentos de suposta folga e felicidade pelas redes sociais. Simplesmente chocada.

 

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Discutir o apego exagerado às redes sociais já virou clichê. Mas, por mais que se fale sobre isso, a coisa só se agrava. Precisa mesmo passar as férias inteiras preocupado em esfregar na cara dos seus amigos “compartilhar” os mínimos detalhes da sua viagem, a cada cinco minutos, com os seus amigos e conhecidos? Na minha modestíssima interpretação, isso só pode ser a manifestação pós-moderna da dificuldade crônica que o ser humano tem de viver o momento, ou seja, exercer o bom e velho carpe diem.

 

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Não creio que seja necessário desprender do Kindle ou do Ipod na hora de viajar (não faria isso nem a pau!), e também acho legal uma fotinho aqui e ali estampada no Instagram – “fazer check in” em determinado lugar eu nunca vou entender ou achar bacana, sorry. Por outro lado, penso que desconectar nas férias, pelo menos na maior parte do tempo, é desesperadoramente necessário (este vídeo tailandês, meio antiguinho, diz tudo). Pense nisso com carinho, por favor.

 

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Faz parte do meu trabalho estar conectada com o mundo e interagir com os leitores, coisa que eu faço através deste blog e, com moderação, também do Twitter e do Facebook. Mas, entre outras coisas, Achados não tem uma conta no Instagram (tenho uma conta pessoal na qual posto besteiras esporádicas para amigos e família). Simplesmente porque, ao viajar, eu preciso de tempo para VI-VER. É através da vivência que eu recolho material para, depois, escrever, contar, compor uma matéria, postar. O tempo que se perde com o olho na telinha enquanto as coisas estão acontecendo é muito precioso, para mim e para você, leitor. Isso porque acredito piamente que você está mais interessado em ler boas histórias, ter dicas quentes e sentir a atmosfera de um lugar através de uma matéria ou um post bem escritos, do que saber, em tempo real, o que eu estou tomando de café da manhã num hotel na conchinchina. Você está me achando muito rústica?

 

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