Restaurantes escondidinhos de Barcelona que valem a viagem, parte 9: Suculent

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O nome Suculent, em catalão, é um trocadilho com “sucar lent”, que significa “molhar lentamente o pão”. Mas a palavra “suculento”, em português, caberia perfeitamente para definir o espírito deste restaurante pequenino na Rambla del Raval, no centro de Barcelona, bem em frente ao gato gorducho assinado pelo artista colombiano Fernando Botero.

 

Um dos proprietários é o midas Carles Abellán, chef sobre o qual já falei incontáveis vezes – entre outras coisas, ele é o homem por trás do estrelado Comerç 24 e do ótimo Tapaç 24. Apesar do peso de Abellán, a proposta despretensiosa da casa combina perfeitamente com a série “Restaurantes Escondidinhos de Barcelona”, que faz tanto sucesso por aqui.

 

Com um pequeno balcão e meia dúzia de mesas, o Suculent ocupa uma antiga bodega do Raval que, no século passado, recebia a nata da boemia e da malandragem. Alguns móveis antigos foram aproveitados. As mesas são feitas de toras recicladas e, nas paredes, vitrines de madeira guardam objetos de cozinha. Os assentos das cadeiras e bancos foram forrados com o material usado para fazer sacas de arroz ou batatas.

 

Simples, original e bela, a decoração combina com o tipo da cozinha, rústica, “de toda la vida”, e com um toquezinho criativo. A frase que o crítico gastronômico Pau Arenós , do El Periódico, usou para descrever um dos pratos pode ser aplicada ao todo: “Tradicional com 10% de inovação”.

 

Para nós, brasileiros, o cardápio executado pelo jovem chef  Antonio Romero, tem alguns alienígenas: lombo e tripa de bacalhau, rabo de porco, rabo de vaca velha, pescoço de cordeiro, entre outras iguarias pouco familiares. Estava com meus sogros e notei neles uma certa aflição inicial para escolher algo convencional entre tantas coisas “exóticas”. Mas esses ingredientes, típicos da cozinha catalã “de vó”, não são estranhos ao nosso paladar. No final, todo mundo saiu contente.

 

Ceviche de gambetas rojas

Ceviche de gambetas rojas

O banquete começou com ceviche de gambeta roja, com delicados camarões vermelhos, fresquíssimos, marinados num molho de abacate e limão. As cabeças dos bichos não vieram para enfeitar o prato. São para serem chupadas, como manda a tradição aqui. Não sou de atacar qualquer cabeça de crustáceo por aí, mas a do vermelho é das melhores coisas que já provei na vida.

 

Também pedimos croquetes de rabo de vaca velha para beliscar. Vieram perfeitos, com uma casquinha crocante e recheio quase líquido. A carne do rabo é suave e desfiadinha. Bom, você já comeu rabada. Não? (eu não)

 

Atum à brasa mal passado à perfeição

Atum à brasa mal passado à perfeição

A terceira entrada foi normalzinha, mas estava uma delícia: mexilhões com molho e alho e óleo.

 

Como prato principal, ataquei um filé de atum mal passado à perfeição, com maionese (que, na verdade, era um purê) de pinholes. Mas também comi um pouquinho do rabo de vaca velha galga com chocolate (sutil, delicioso) e mini cenouras crocantes – um prato matador e que recomendo efusivamente. E dei uma bicada no lombo  de bacalhau com caracóis (escargot). A carne do lombo (por aqui se diz “morro”) é a mais nobre do peixe, mais melosa e macia que o corpo. Em outras palavras, mais suculenta.

A sobremesa também foi matadora: cheesecake de brie com redução de vinho doce moscatel. O preço do jantar foi mais do que razoável, € 27 por cabeça (R$ 83) sem as bebidas (os vinhos começam em € 17).

 

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