Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Por que algumas pessoas não gostam de Bali?

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h44 - Publicado em 5 mar 2013, 15h10

Vendedora de docinhos no templo de Tanah Lot: uma das muitas facetas da ilha

Bali não é uma unanimidade.Pode parecer heresia, para você que tem esta ilha Indonésia no topo da lista de lugares para conhecer antes de morrer. Mas, acredite, algumas pessoas simplesmente não gostam de Bali.

Tenho a ilha entre os meus lugares favoritos do mundo — que fique bem claro que isso não é um post para detoná-la, longe disso. No entanto, consigo entender o motivo pelo qual Bali pode despertar amor e ódio.

Acima de tudo, acho que é uma questão de falta de informação: muitos não têm ideia do que vão encontrar pela frente. Ou seja, almejam uma Bali utópica e se esquecem de pesquisar sobre a realidade. No escuro, acabam indo aos lugares errados ou esperando da ilha algo que ela não pode oferecer.

Aqui vão algumas coisas que talvez você não saiba sobre Bali, para ajudá-lo a ajustar as suas expectativas e evitar roubadas:

– Bali não é um paraíso perdido, onde você estará isolado dos problemas do mundo e cercado de silêncio e paz.

Quase 4 milhões de pessoas vivem na ilha, compartilhando um espaço relativamente pequeno. Some aí mais milhares e milhares de turistas e você terá, quase sempre, a sensação de estar em um lugar muuuuuito cheio. Há regiões ainda pouco habitadas na ilha, claro (principalmente ao norte e ao oeste). Mas os grandes highlights turísticos balineses definitivamente não serão apenas seus.

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– O trânsito é caótico.
Se você é daqueles que surtam no trânsito e tudo o que menos quer nas férias é encarar  um congestionamento, repense. Os engarrafamentos no sul da ilha (onde se aloja a maioria dos turistas) são apocalípticos e, nas estradas (de pista quase sempre única), o ritmo é lento. O que já era ruim anda pior: Bali está passando por um mega upgrade em sua infraestrutura (falarei disso em outro post). Mas, até que as estradas e pontes novas fiquem prontas, é preciso munir-se de paciência para enfrentar as obras, desvios, etc. Por essas e outras, mais vale escolher pontos estratégicos para conhecer cada parte da ilha do que fazer intermináveis passeios de bate e volta.

– Kuta é um inferno.
Eis a maneira mais eficiente de detestar Bali: hospedar-se em Kuta. A cidade balinesa que concentra a maioria dos hotéis econômicos (e, portanto, grande parte dos turistas e quase todos os mochileiros) é simplesmente um horror. Lojas de bugigangas vagabundas, espeluncas, restaurantes ocidentalóides, malandros de todas as espécies e baladas de gosto duvidoso abundam. Para completar, a praia é medonha (leia mais no item a seguir) Quer badalar com glamour? Fique em Seminyak. Praias bonitas? Prefira a península de Bukit. Yoga e arrozais? O seu lugar é Ubud e arredores. Templos? Eles estão espalhados. Sossego total? Rume para o norte ou para o oeste, embrenhando-se pelas rotas off the beaten track.

– Nem todas as praias são belas.
A península de Bukit, ao sul da ilha, concentra todas as praias lindas e famosas de Bali: Ulu Watu, Padang Padang, Balangan, Nusa Dua, etc. Fora desta região, as praias são predominantemente de areia vulcânica escura. Há quem goste… Mas você não atravessou o mundo para ir a um lugar que lembra Peruíbe, certo? Também é bom ter em mente que as praias de Kuta, Seminyak e arredores costumam estar extremamente sujas. Ou seja, é preciso saber onde esticar a canga para não se dar mal.

– Nem todas as praias belas são “fáceis”.
Repita comigo: Bali não é Maldivas. Água calminha e areia branca e fina você encontra nas Gili Islands, ali perto. As praias da Península de Bukit são grandes mecas do surfe, o que obviamente implica ondas absurdamente grandes. Isso significa que a vida dos banhistas não é exatamente fácil. Quando o bicho pega de verdade, nem Michael Phelps se anima a arriscar umas braçadas. Para completar, o fundo é quase sempre de coral e, na maré alta, o mar engole a pouca areia (principalmente em Padang Padang e Ulu Watu, onde nem faz sentido “pegar uma paia”). Há exceções? Sim, várias. Nusa Dua, por exemplo, é uma grande piscina protegida por um arrecife. Balangan também tem bons trechos de areia. Repito: basta saber onde esticar a canga e você será feliz.

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