Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Pelo direito de NÃO passar no duty free

Pra que consumir tanto no meio da sua viagem?

Por Adriana Setti Atualizado em 21 nov 2017, 11h38 - Publicado em 22 set 2016, 00h10

O sujeito passa pela inspeção de segurança, atravessa o controle de passaportes e é engolido por uma nuvem de perfume. No meio do caminho havia o duty free. Havia o duty free no meio do caminho. Sem querer, e sem possibilidade de desviar, lá está o futuro passageiro sendo borrifado com o último lançamento em eau de toilette. Montanhas de chocolates ameaçam voar para dentro da sua goela. Bolsas, câmeras, ursinhos de pelúcia, garrafas de uísque, almofadas de pescoço, caixinha de som, batons, sombras, echarpes. Pague dois e leve três. Leve quatro. Compre, gaste, consuma, entupa a sua vida de coisas inúteis. Afinal de contas, você vai viajar.

Só eu acho abusivo ter que passar pelo free shop compulsoriamente para chegar ao portão de embarque? Só eu acho que isso deveria ser, no mínimo, opcional?

Dias atrás, no aeroporto de Heathrow, em Londres, já estava a poucos metros do portão de embarque quando ainda ouvi um senhor de cartola que berrava, na frente da última loja, como se o apocalipse estivesse próximo: “Última oportunidade para comprar! Última oportunidade para comprar!”. Não há motivo para desespero, meu caro. No avião, afinal de contas, também podemos consumir sofregamente.

Até os mais distraídos notariam a revista cuspindo ofertas enfiada no bolso da poltrona, ou a aeromoça que passa com o carrinho cheio de perfumes e relógios de lá pra cá. Mas, depois de quase doze horas de voo, o filme congelou e a seguinte mensagem apareceu na tela: “atenção! as vendas duty free a bordo se encerrarão em 15 minutos”.

É prático ter algumas coisinhas à mão para comprar no aeroporto e no avião? Pode ser. Mas não há nenhuma outra situação cotidiana em que sejamos bombardeados pelo monstro do consumo de uma forma tão ostensiva – até nos shoppings centers, por exemplo, o cidadão pode decidir se quer entrar ou não em cada loja. Quando foi decidido que o ato de viajar estaria tão atrelado ao de consumir? Eu, que consumo menos para viajar mais, posso não querer passar pelo duty free?

Vade retro, Toblerone gigante!

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