Outubro é o novo setembro para viajar pela Europa

Com tempo cada vez melhor, tarifas mais baixas e menos gente, a época ideal para viajar mudou

Estive em Lisboa no fim de setembro e fiquei seriamente impressionada com a quantidade de turistas que encontrei. Havia filas enormes para entrar no Castelo de São Jorge, para comprar pastéis de nata na Manteigaria, para acessar a torre de Belém, para fazer xixi nos banheiros públicos… Em Barcelona, apesar dos incontáveis revezes que a cidade teve ultimamente, a situação era parecida – e por pouco não consigo entradas da Sagrada Família para uma amiga. Também estive nas Ilhas Baleares e, para meu espanto, não cabia mais uma alma nas praias mais famosas. Seria setembro o novo julho?

Por sorte, aos que gostam de viajar na contramão das multidões, resta outubro. Circulando pela Europa, me dei conta de que a (assustadora) mudança climática vem convertendo o mês em um novo setembro. Pelo menos na parte mais quentinha da Europa – ou seja, o sul de países como Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, entre outros – este mês vem adquirindo todas as características que costumava atribuir entusiasticamente a setembro, com o acréscimo de algumas folhas amareladas, que deixa a paisagem maravilhosa em regiões como a Toscana e a Provence:

O tempo ainda está (muito) bom

Chega a dar medo. Poucos anos atrás, pegar uma praia com gosto (ou seja, com direito a banho de mar sem congelar o esqueleto) era algo que se fazia do fim de junho a meados de setembro. Nos últimos anos, o verão ficou mais longo e nadar em outubro – assim como em maio e até em abril! – deixou de ser uma façanha para converter-se em algo normal. É um mês ideal para viajar pela Europa: você não morrerá de calor (como em julho e agosto) nas cidades e até poderá aproveitar o litoral. Nos vilarejos da Toscana, do Alentejo e da Provence, ainda vai poder curtir as mesinhas espalhadas pelas praças fofas. E tudo isso cercado de bem menos gente.

Cala Macarella, uma das mais lindas de Menorca, nas Ilhas Baleares, Espanha Cala Macarella, em Menorca

Cala Macarella, em Menorca (tagstilles/iStock)

Os preços dos hotéis e das passagens é mais baixo

Foi-se o tempo em que a alta temporada ia até o fim de agosto. Hoje em dia, a queda de preços na virada de setembro é muito mais sutil do que antigamente e, em alguns lugares, ela simplesmente não acontece. Quem quer economizar faz um ótimo negócio em se programar para viajar a partir de outubro no ano que vem.

Os aeroportos estão mais vazios

Com as novas regras de segurança da União Europeia, os controles de segurança ficaram mais lentos. Por isso, é um grande alívio viajar a partir de outubro, quando os aeroportos ficam notavelmente menos congestionados.

É mais fácil (ou menos difícil) conseguir mesa nos melhores restaurantes

A galera que viaja para comer nunca faz isso em agosto – quando grande parte dos bons restaurantes fecha para férias. Ou seja, para combinar a comilança com um pouco de calor, setembro era o mês ideal até pouco tempo atrás. Só que, hoje em dia, quem não reserva com muita antecedência para essa época fica de fora dos melhores restaurantes. Em outubro, a disputa é muito mais suave. Vai por mim!

Dá para improvisar

É cada vez mais difícil viajar sem reservas prévias. E se antes o período do alerta vermelho era apenas para julho e agosto, agora vale para também em setembro. Já em outubro, reservas de passagens e hotéis de última hora voltam a ser relativamente viáveis, assim como entrar em atrações sem ter comprado os bilhetes com meses de antecedência (de qualquer forma, vale fazer isso uns dias antes, para garantir….).

As cidades ficam mais autênticas

Quem mora em cidades turísticas acaba evitando as suas partes mais lotadas no auge da temporada. Quando a quantidade de gente dá uma baixada, acontece uma espécie de retomada de território. A partir de outubro, os moradores de Barcelona, por exemplo, voltam a circular pelos bares da Barceloneta (intransitáveis no verão), pelas ruas do Bairro Gótico, pelo Port Vell…  Com isso, o visitante tem a oportunidade de sentir como é o cotidiano na cidade, escutar o idioma local e vivenciar algo mais, digamos, autêntico.

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