O primeiro all inclusive a gente nunca esquece

O gigante Norwegian Breakaway, inaugurado no fim de semana passado

 

 

Passei o último fim de semana a bordo de uma das grandes novidades do ano no mundo dos cruzeiros: o gigante Norwegian Breakaway, que neste momento se encontra em alto mar a caminho de Nova York, porto que lhe servirá de base para roteiros entre a Big Apple e o Caribe. Os detalhes sobre o navio e o relato completo da experiência você verá em breve, nas páginas da revista Viagem & Turismo. Enquanto isso, gostaria de narrar a minha primeira vivência all inclusive dentro de um resort (neste caso, flutuante).

 

Na viagem  inaugural, os onze restaurantes especiais do navio (pelos quais os passageiros pagarão à parte) estavam operando excepcionalmente no modo boca livre – bem como os 6 restaurantes principais do navio e o bufê, habitualmente incluídos no preço da viagem. Ou seja, havia nada menos do que 17 restaurantes para provar em 48 horas. Repita comigo: OH, MY GOD.

 

Além da comida, vinhos e cervejas estavam liberados em todos os bares e restaurantes. E as bebidas mais potentes eram servidas na faixa entre as 19h e a meia noite.

 

Compenetrada em fotografar e conhecer as instalações do Breakaway, só cheguei ao miolo do navio, onde se concentram os bares, lá pelo final da tarde (tinha embarcado na hora do almoço). O panorama por ali, àquelas alturas, me lembrou uma entrevista que fiz há muitos anos com o diretor da rede jamaicana SuperClubs, de resorts que funcionam no sistema all inclusive.

 

Na ocasião, ele me mostrou uma curva da estimativa de consumo de um ser humano médio durante uma semana de férias esquindô-lelê. No primeiro dia, o gráfico acusava a famosa queimada de largada, seguida de uma queda brusca no consumo no segundo dia (vulgo ressaca), alguns dias de relativa moderação e um gran finale pancadão com a cabeça na jaca.

 

O navio nem tinha zarpado e a sensação era de que quase todos os 3 mil passageiros a bordo (entre eles muitos jornalistas e agentes de viagem) se aglomeravam na frente dos bares, sorvendo piscinas olímpicas de cervejas e vinhos. Todos os restaurantes abertos àquelas alturas (5 da tarde!) estavam lotados.

 

O clima “aproveita que o mundo vai acabar” não tardou em me contagiar, fazendo com que iniciasse a minha maratona particular no sushi bar. Em seguida, pausa para uma cervejinha e, menos de duas horas depois (com um breve coquetel para a imprensa nesse meio tempo),  estava novamente à mesa, dessa vez na churrascaria Moderno, um rodízio brasileiro. Alguns shows e uma peregrinação por bares e discotecas depois, finalizei a noite com um hambúrguer no pub irlandês.

 

Corta.

 

Como um ratinho de laboratório, na manhã seguinte eu era o retrato da queda brusca na curva de consumo. Não podia nem pensar em comida (não por culpa da qualidade, muito pelo contrário). Saber que o bufê pairava sobre a minha cabeça, no andar de cima, me provocava calafrios. Café da manhã: maçã com sal de frutas. Almoço? Sopa. Com muito esforço (juro, muuuuito esforço), jantei num restaurante especializado em teppanyaki (de cujas deliciosas especialidades tive que me desfazer algumas horas depois, por exigência do meu sistema digestivo). Devorei um plasil de lanchinho da noite e, só no dia seguinte na hora do almoço me considerei novamente apta a ingerir algum tipo de alimento e, eventualmente, alguma bebida alcoólica. Estaria pronta para entrar na fase da relativa moderação da curva de consumo. Mas, infelizmente, já estava em terra firme novamente.

 

Confesse. Você consegue segurar a onda numas férias all inclusive? Quanto a mim, não há dúvidas: sou aquele ser humano médio da previsível curva de consumo.

 

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