Halong Bay, no Vietnã: mico no paraíso?

A atração mais pop do Vietnã certamente está entre os lugares mais bonitos do mundo. Localizada ao norte do país, no Golfo de Tonkin, a 3 horas e meia de Hanói de ônibus, Halong Bay tem 3 mil ilhas que emergem triunfais de águas esverdeadas, formando esculturas altíssimas em pedras de várias tonalidades. Isso sem falar nas praias e cavernas que podem ser visitadas ao longo do caminho.

E como pode um lugar desse ser, de certa forma, um mico?

Por culpa do ser humano, cuja estupidez não tem limite.

Para começo de conversa, Halong Bay sofre da síndrome de Angra dos Reis. A cidade que serve como base, Halong City, é um lugar onde você não desejaria que o seu pior inimigo passasse dez minutos sequer. A solução mais amena, portanto, é reservar um passeio de um, dois ou três dias saindo diretamente de Hanói. Desta forma, você passa por Halong City apenas para embarcar e se embrenha no miolo da baía, onde as ilhas se concentram.

Aí entra o supra-sumo da estupidez humana.

Praticamente todos os barcos fazem e-xa-ta-men-te o mesmo roteiro (na mesma hora). O preço do passeio de dois dias e uma noite, suficiente para se ter uma boa idéia do lugar, começa em US$ 40 num barco ultra simples (que por orientação do guia Lonely Planet achei melhor nem cogitar) e pode variar até o infinito, caso se opte pelo esquema de barco privado.

Nosso eleito, o Dream Voyage, até que era bem confortável, com cabines amplas com ar condicionado e chuveiro quente, e apenas 16 turistas a bordo (pela modesta quantia de US$ 65 por pessoa). A comida era sofrível. Mas isso foi o de menos, mesmo porque ninguém nunca espera grande coisa de “comida de barco”. O grande problema era o espírito bovino da coisa.

O guia, tadinho, não parava de dar explicações num inglês macarrônico, sempre começando a frase com um insuportável “ladies and gentlemen”. E ditava como um chefe de turminha de escoteiros o programa do momento: “agora, podem nadar”, “agora, momento de relaxar”, “agora, vamos ver a caverna”. E lá íamos nós disputar cada palmo da caverna (maravilhosa, mas iluminada com luzes coloridas e com lixos em forma de golfinhos espalhados por todos os lados) com outras trocentas excursões.

Como éramos um grupo de seis amigos (incluindo a comadre Rachel Verano), eu realmente estava levando tudo na esportiva e rindo horrores com a situação. Até mesmo do fato de termos que beber a cachacinha que levamos escondidos no quarto como adolescentes para não pagarmos a rolha (detalhe sobre o qual formos informados apenas à bordo, depois de termos carregado uma caixa de cerveja inteira desde Hanói) e do karaokê medonho que começou a rolar depois do jantar.

(Comadre-blogueira Rachel Verano não achou muita graça não… e contou nossa experiência com a língua afiada e maestria neste post inspirado…)

Mas o segundo dia foi de lascar.

Fomos acordados às 7 e 15 da manhã para tomar café e fazer check out, ainda que o “passeio” durasse até a tarde. Em seguida o barco acolheu um grupo que vinha sei lá de onde e também deixou o grupo que faria o passeio de três noites num outro barco que ia sabe deus aonde. Ou seja, virou um vai e vem e um entra e sai danado. E como o tempo estava ruim, o que nos impedia de tomar sol no deck ou qualquer outra coisa mais divertida do que ficar sentado na mesa do café da manhã, ficamos literalmente um olhando para a cara do outro durante mais de 5 horas até o Dream Voyage finalmente ancorar de volta à xexelenta Halong City.

Por fim, a cereja do bolo da bagaceira: o almoço foi servido num restaurante que parecia uma espécie de Rancho da Pamonha da Imigrantes em volta de carnaval, antes de finalmente pegarmos a estrada rumo a Hanói.

Se valeu a pena? Eu acho que sim, já que era a única maneira que estava ao meu alcance para ver um lugar tão lindo. Mas definitivamente Halong Bay não verá o ar de minha graça novamente nesta encarnação.

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