Dicas realistas para viajar a dois

Depois dessas dicas, viajar em casal não será mais motivo de separação

Se você clicou neste post em busca de dicas “para esquentar o relacionamento numa viagem a dois”, pode dar meia volta. O que vem a seguir é uma lista de sugestões realistas para não queimar o relacionamento numa viagem a dois.

Cássio e eu moramos juntos há 15 anos e já visitamos quase 50 países lado a lado. E pasmem: nós dois ainda trabalhamos no modo home office e passamos quase todos os dias praticamente grudados.

Se continuamos vivos (e felizes) é porque entendemos algo de convivência. Então vai por mim.

1. Faça um test drive da cara metade antes de planejar uma viagem mais ambiciosa

A questão pode parecer necessária apenas para casais que acabaram de se conhecer. Mas não. Em maior ou menor grau, todo mundo se comporta de forma um pouco distinta fora da zona de conforto.

E as questões básicas de uma relação – ceder, harmonizar, confiar, dividir – passam a ser bem mais agudas e frequentes durante uma viagem, quando é preciso tomar uma série de pequenas e grandes decisões ao dia, conciliar vontades e sincronizar ritmos e expectativas.

O que vai rolar mundo afora nem sempre depende do quão bem o casal se dá em casa. Tenho um casal de amigos, por exemplo, que moram juntos há mais de cinco anos e simplesmente não conseguem que uma viagem a dois seja gostosa.

Um deles fica tão ansioso e inseguro no exterior que a carga de stress acaba gerando brigas, picuinhas e surtos (nos dois). Eles já tentaram várias vezes e a coisa não evolui.

Por outro lado, uma amiga que mal começou a namorar (e nem mora na mesma cidade que o cara) e acabou de voltar de uma maravilhosa e longa viagem pela Europa que incluiu uma maratona a quatro pernas — UAU. Ou seja, nunca se sabe.

Diante da imprevisibilidade, é bom fazer test drives. Melhor ir com um Gremlin para o Guarujá do que arrastar o monstro numa volta ao mundo.

2. Escolha um destino que seja interessante para os dois

Parece a mais elementar das questões, mas muita gente acaba infringindo essa norma meio sem querer. É bastante frequente que um tope a ideia do outro meio sem pensar (ou só pra agradar) e descubra que ficou na roubada quando já é tarde demais.

Uma história que presenciei foi a de um casal de argentinos que conhecemos num resort de mergulho. Estávamos em uma ilha onde não havia absolutamente mais nada para fazer – mal tinha praia. A menina até tentou aprender a mergulhar, mas era “como um gato”, segundo suas próprias palavras.

Então, ela não só passava o dia inteiro sozinha como, à noite, ainda tinha que aguentar o monotema peixe-tubarão-equalização dos amigos recém feitos pelo marido (nós) ao longo do dia. Ela era incrível e fazia mil piadas com a sua própria desgraça, mas certamente aquela não foi a viagem da sua vida.

Portanto, vale a pena debater com carinho e atenção o próximo destino, e deixar as paixões e hobbies muito pessoais para uma viagem solo – sim, é legal viajar sozinho de vez em quando mesmo tendo marido, mulher, namorad@ etc.

3. Divida o planejamento

Dividir o planejamento da viagem ajuda muito a evitar a situação do item anterior (ela não teria topado se soubesse que a ilha não tinha praia), além de vários outros perrengues conjugais.

Fico impressionada com a tranquilidade com que algumas pessoas embarcam quase às cegas, tendo deixado toda a logística na mão da outra. Consequência: se o que se omitiu reclamar, o que passou noites a fio pesquisando um bom hotel  – mas encontrou uma pulga no travesseiro – se sentirá injustiçado e ofendido. Briga na certa.

Aqui em casa sou eu quem “executa” as pesquisas, reservas e tal. Afinal de contas é o meu trabalho. Ainda assim, faço questão que ele opine sobre todos os pontos e esteja por dentro de tudo. Não é só pra ser legal. Dividir o planejamento é uma ótima forma de dividir a responsabilidade caso algo de errado.

Casal viajantes beira piscina

 (haveseen/iStock)

4. Passe alguns momentos sozinho, se for o caso

A viagem pode estar sendo incrível para os dois. Mas é absolutamente normal que um queria fazer algo que o outro não esteja afim de vez em quando. Por que não aceitar a realidade?

Não existe nada mais triste do que o marido sentado no sofá da loja com cara de c… Fico imaginando a negociação: “Ok, Pâmela, vamos fazer compras mas depois você vai comigo ver o museu do Barça”. Não, gente! Isso não é prova de amor e companheirismo. É masoquismo.

5. Divida os perrengues e tarefas

Perguntar algo para um desconhecido na rua, explicar para o taxista como chegar ao hotel, telefonar para o restaurante para fazer uma reserva, trocar dinheiro…

Nada pode ser mais irritante do que a pessoa que faz corpo mole toda vez que essas tarefinhas aparecem. É preciso ter boa vontade e disposição para dividir o perrengue, nem que você tenha que fazer um esforço para que  assim seja.

E a questão da direção do carro? Em pleno século 21, ainda vejo muito homem assumindo automaticamente essa cruz. Ele AMA dirigir? Ok, então deixe com ele se você não fizer questão.

Caso contrário, o mais saudável é dividir para que ambos possam relaxar e ver a paisagem. Aqui em casa nós dois odiamos dirigir. Então repartimos o volante matematicamente e usamos horas extras como moeda de troca. “Se você dirigir eu faço o jantar”, por exemplo.

 (Giulia Mulè/creative commons/Flickr)

6. Só leve aquilo que você puder carregar

Essa é para a mulherada. Em pleno século 21, não tem cabimento que o cara tenha que arcar com a sua mala pesadíssima. Sim, ele te ama. Sim, ele faria isso. Mas ele não merece. Sem mais.

7. Respeite o relógio biológico alheio

Se vocês dormem e acordam naturalmente na mesma hora, lindo! Mas como quase nunca é assim, exercite a tolerância. Deixar o outro dormir até mais tarde é um ato de amor.

8. Respeite os limites alheios (incluindo fobias, paranoias e afins)

Se o maridão morre de medo de altura, não se sinta abandonada se ele não quiser subir ao mirante X com você.

Se ela não aguenta mais caminhar, não vai adiantar ficar lançando palavras de incentivo como um treinador de maratona.

Se o cara não gosta de comida picante, talvez seja melhor deixar o restaurante indiano mais cool de Londres para outra ocasião.

Enfim: ninguém viaja para sofrer, para ser pressionado e para necessariamente superar medos e fobias. Para isso a gente vai no psiquiatra. Nas férias, é preciso ter SENSIBILIDADE para enxergar e respeitar os limites alheios.

9. Evite surtinhos

Algo deu errado? Conte até mil. Até 10 mil se for preciso. Explosões de nervos são as piores coisas que podem acontecer diante de um perrengue.

10. Releve

O seu ser amado fez algo que o deixou triste, com raiva, de mau humor. Paciência, acontece nos melhores casais.

Só que, durante uma viagem, o prazo para a reconciliação PRECISA ser mais curto. Se em casa cada um vai para um lado e toca a vida, na viagem essa situação implica aquele silêncio tenebroso e caras fechadas — muitas vezes no meio de um passeio.

Por mais que seja difícil “apertar a tecla da felicidade e dizer que está tudo bem” (essa frase é bem famosa aqui em casa), vale a pena fazer um esforço extra para o bem da situação. Nem que, de volta a casa, vocês adicionem um pouco de roupa suja extra à máquina de lavar.

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