Da Costa Rica ao Panamá: uma fronteira é sempre uma fronteira

Fronteira sem perrengue? Só na União Europeia e olhe lá…

Quando cruzar a fronteira de um país a outro envolve burocracia (ou seja, quase sempre), uma dose variável de perrengue é inevitável. E se passar por uma imigração em um aeroporto não é das coisas mais agradáveis da vida, por terra é sempre muito pior. Além disso, é sempre bom ter em conta que, quanto menos desenvolvido é o país, mais arrogante serão os agentes de imigração. Mas, enfim, faz parte.

A passagem entre Sixaola, na Costa Rica, e Guabito, no Panamá, é considerada light. De fato, não há maiores complicações. Isso, no entanto, não quer dizer que você não tenha que ter um pouco de paciência.

A maioria dos que vêm da Costa Rica estão a caminho do arquipélago Bocas del Toro, uma das joias caribenhas da costa do Panamá. Se tudo correr bem (e comigo correu), a viagem de porta a porta demorará três horas entre Puerto Viejo e Bocas. Siga as instruções:

1 – De Puerto Viejo, percorra 50 quilômetros até Sixaola, uma cidade de fronteira, tipicamente xexelenta, com alguns restaurantes para caminhoneiros, botecos e hotéis de quinta. Tenha em mente que, devido à precariedade das estradas, 50 quilômetros significam quase uma hora de viagem. Ao lado do escritório de imigração da Costa Rica há um estacionamento (US$ 7 por 24 horas). Mais vale deixar o carro lá do que enfrentar a enorme fila e infindável burocracia para cruzar motorizado (praticamente ninguém faz isso além dos motoristas de caminhão), que pode demorar quase um dia inteiro.

2 – Passe pelo escritório de imigração da Costa Rica para pegar o selo de saída do país. Se você der o azar de chegar junto com algum ônibus, prepare-se para a fila. Também tenha em mente que o lugar pode fechar (não é regra) para o almoço mais ou menos 13h. O mesmo vale para o escritório de imigração do outro lado, com um detalhe: o Panamá está uma hora na frente, o que significa que chegar na hora errada pode significar duas horas sem podem cruzar – gastas nas aprazíveis cidades de Sixaola e/ou Guabito.

3 – Atravesse a ponte de ferro que une os dois países em cerca de 1 km. Se você estiver com muita bagagem, peça a ajuda de um carregador (eles surgem do nada, não se preocupe) para não entalar a rodinha da mala nos enormes vãos da ponte.

4 – Passe pelo escritório de Imigração do Panamá (brasileiros não precisam de visto, só de um passaporte válido por no mínimo 3 meses), onde você deve apresentar provas de que vai voltar para a Costa Rica (a chave do carro alugado e o recibo do estacionamento valem) ou a passagem de ida para qualquer outro lugar. Se você não tiver isso em mãos e o sujeito implicar com você, compre uma passagem de ônibus do guichê estrategicamente posicionado a poucos metros dali. O normal, no entanto, é que se cobre apenas US$ 3 de entrada (que você não terá que pagar se tiver a chave do carro ou a tal passagem).

5 – Passe pela desorganizada salinha da alfândega panamenha para preencher um formulário e, numa mesa anexa à do fiscal, pagar US$ 3 pela taxa turística da província onde fica as ilhas de Bocas del Toro (!).

6 – Pegue uma van (US$ 10 por pessoa; 1h) ou um táxi (desde US$ 25, dependendo da sua capacidade de negociar) até o porto de Almirante. A desvantagem da van é que você terá que esperar lotar (lotar messsmo) para sair. Em compensação, chegará ao porto em um número de pessoas suficiente para lotar uma lancha. De táxi, você acaba tendo que esperar a lancha lotar… Detalhe impostantíssimo: van, no Panamá, atende pelo singelo nome de BUCETA. Portanto, não se ofenda se alguém lhe oferecer uma.

7 – Pegue uma lancha até a Isla Colón (US$ 4; 30 min), a maior do arquipélago de Bocas del Toro, de onde saem os barcos para as demais ilhas. No meu caso o destino final era a ilha de Bastimentos e o transporte até lá custou mais US$ 4 por pessoa (apesar da viagem demorar só 7 minutos e olhe lá).

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