Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Achados no País Basco: relatos de uma sidreria

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h55 - Publicado em 3 set 2010, 16h25

A entrada da Petritegi: mega sidreria

A indumentária mais adequada para ir a uma sidrería deve envolver uma bota, um casaco e uma calça que possa dar vazão à expansão do seu abdome.

Sabe aquela sua amiga mais fofi (e vegetariana)? Humm, melhor deixá-la em casa.

Você deve estar pensando: Sidra? Sereser? Enxaqueca engarrafada? Sim, same same but different, como diriam os tailandeses. Mas feita com amor e carinho, de maneira artesanal, a bebida pode ser melhor (ainda que manter uma neosaldina e um engov no bolso é sempre bom).

Esta bebida alcoólica e espumante feita da maçã é mais típica da região de Astúrias, vizinha do País Basco. Mas em Guipuzkoa (uma das províncias bascas) , mais especificamente em Astigarraga, pertinho de San Sebastián, também é tradição.

Você pode beber o barril inteiro, se o seu estômago permitir

O mais habitual é freqüentar as sidrerias, ou sagardotegias (em euskera), na época da colheita da fruta, quando a sidra está fresquinha. Mas algumas funcionam durante todo o ano. E o povo agradece.

A escolhida por meu querido anfitrião Javi foi a Petritegi, uma megasidreria, segundo ele. Ali, há três tipos menu fixos (€ 27 por pessoa). E a sidra é liberada: beba até cair no chão… se o seu estômago não se rebelar contra você antes. Afinal de contas, sidra é meio ruim até quando é boa.

O mais legal de tudo é o esquema: você mesmo pega o seu copo, entra na bodega (aí entra o casaco: faz frio) e pode se servir direto dos barris que estiverem com a torneira liberada. A regra é abrir o jato, meter o copo lá, colocar uns três dedos da bebida e mandar ver num trago só, jogando o finalzinho no chão (aí entra a bota). Não é para o santo. É para não engolir os restinhos sólidos do fundo do copo.

Placa intrigante do ano: proibido tocar sanfona (diz o meu amigo Javi que em outras sidrerias é liberado… ah tá…)

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Enquanto alguém estiver segurando a torneirinha aberta, você pode colocar o seu copo na fila (veja foto), e se você for o sujeito que abriu o barril, tem como “obrigação moral” ficar lá até o último se servir.

A tchurma da pelota basca mandando ver no chuletão

Sidra desce. E sidra sobe. Então pouco a pouco a bodega vai virando uma festa.

Um senhor solícito tenta me ensinar como se serve: e olha eu lá pagando mico de sandalucha

Separou? Deprimiu? Toca pra sidreria! A proporção homem/mulher, pelo menos no dia em que estive lá, era de 18 para uma.

Bacalhau com pimentão pra ogro nenhum botar defeito

É que o programa, convenhamos, tem toda pinta de reunião da “turma do futebol” (no caso, imagino, da pelota basca).

Chuletão basco: o prato preferido do Homer Simpson

Nossa mesa após um ataque de bárbaros Hunos (nós mesmos)

Tudo é servido em porções tiranoussauricas (aí entra a calça que permita a expansão do seu abdome) em um recipiente. E todos devem meter o garfo direto lá. O destaque do cardápio (que tem tortilha de bacalhau, babalhau com pimentões, pão e frutos secos) é o maravilhoso chuletão basco super mal passado. É uma das melhores coisas que eu já comi, mas provocaria enfartes naquela sua amiga mais fofi.

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