Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

Achados em Madri: Museo Chicote – Hemingway esteve aqui (e você, tolinho, paga a conta)

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 16h04 - Publicado em 12 jul 2009, 09h07

Na última quarta-feira, o chiar das vassouras contra o assoalho do Fábrica de Pan, no bairro de Chueca, anunciava o inexorável: às 3 da matina, até os bares de Madri entregam os pontos.

Mas eu ainda queria mais.

Então me aproximei de um local cuja porta deixava escapar alguns feixes de néon e música eletrônica vagabunda. “Guapa, que esto es un local gay”. “Ah si, pero muuuuuuy gay?”. “Si, muuuuuuuuy gay”. Em outras palavras: “fofi, aqui menina não entra”.

Resistindo a ceder aos apelos das cervejas mornas vendidas na surdina por uma pequena multidão de chineses (confesso: se o caminhão da limpeza urbana não estivesse jorrando água por todas as ruas obrigando todo mundo a andar na pontinha dos pés eu ainda cogitaria a hipótese), resolvi caminhar um pouco mais. Até que, tcharan, encontrei, já na Gran Via, o tradicionalíssimo bar Museo Chicote A-B-E-R-T-O. Yupy!

“Garçon, duas cervejas”.

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O bar man colocou duas Heinekens em cima do balcão. E a vida voltou a ser bela.

“São doze euros”.

“ANNNN? DOOOZE?”.

(Há menos de uma hora, eu havia tomado uma cerveja por 1,5 euro. E depois outra por 3, já achando caro, num bar bacanésimo.)

Sim, senhoras e senhores, só porque Hemingway e outros figurões da imprensa sentaram seus nobres traseiros naquelas cadeiras durante a Guerra Civil – e também Ava Gardner e Grace Kelly, em dias mais felizes –, este bar brega e decadente tem a pachorra de cobrar 6 euros por uma singela cerveja.

Run, Forest, run!

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