Achados Adriana Setti escolheu uma ilha no Mediterrâneo como porto seguro, simplificou sua vida para ficar mais “portátil” e está sempre pronta para passar vários meses viajando. Aqui, ela relata suas descobertas e roubadas

A polêmica em torno ao arquiteto popstar Santiago Calatrava (nem tudo que reluz é ouro)

Por Adriana Setti Atualizado em 27 fev 2017, 15h40 - Publicado em 9 jan 2014, 19h05
A Cidade das Artes e da Ciência de Valencia, obra de Calatrava: bonitinha, mas ordinária

A Cidade das Artes e da Ciência de Valencia, obra de Calatrava: bonitinha, mas ordinária

 

Suas obras são ícones da Espanha contemporânea e, ao redor do planeta, o arquiteto Santiago Calatrava é tido como um dos grandes talentos made in Spain, ao lado de gente como Pedro Almodóvar ou Ferran Adrià. Ele colocou a sua Valência natal no mapa turístico europeu com a construção da Cidade das Artes e da Ciência, deu um toque moderno a Veneza com uma ponte high-tech e imprimiu o seu estilo arejado em muitas outras cidades do mundo – entre elas Buenos Aires, Nova York, Atenas e Lisboa.

 

O que pouca gente sabe, pelo menos no exterior, é que muitas de suas obras estão envolvidas em robustas polêmicas de superfaturamento. E, como se não bastasse, sua eficiência como arquiteto também é extremamente questionada por clientes e colegas.

 

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O Palácio das Artes Rainha Sofia antes de começar a cair aos pedaços

 

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O Palácio das Artes por dentro

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A linda ópera de Valência encarada de frente

Há tempos, algumas falhas técnicas no projeto da Cidade das Artes e da Ciência vêm à tona aqui e ali. Coisinhas “leves”, como portas enormes de vidro que estouram em dias de muito calor. Mas o angu acaba de ficar ainda mais indigesto: o Palácio das Artes Rainha Sofia, a “ópera” da Cidade das Artes e das Ciências, está literalmente caindo aos pedaços. No começo do ano, goteiras e nacos de escombro que se desprendem do teto obrigaram ao cancelamento de uma temporada da ópera de Puccini Manon Lescaut, dirigida pelo tenor Plácido Domingo, gerando um prejuízo gigantesco e um vexame maior ainda. As obras de restauração podem demorar até seis meses e estão sendo avaliadas em 3 milhões de euros. Detalhe: o edifício foi inaugurado há menos de 10 anos!

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Quer saber mais? Então veja esta matéria, do excelente Jordi Évole, o melhor jornalista espanhol da atualidade, do programa Salvados.

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A polêmica ponte sobre o canal de Veneza: uma belezura que escorrega como sabão

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A ponte é linda, só que é serve para dar acesso à estação de trem e a escadaria super facilita a vida de quem vem com mala

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Nos dias de chuva, um policial alerta sobre o risco de fratura no cóccix

 

A famosa ponte de Veneza é outro mico. Inaugurada em 2008, ela estourou em 4 milhõezinhos de euros o orçamento previsto e, desde então, 38 pedestres entraram com ações contra a prefeitura da cidade italiana por causa de tombos cinematográficos. Isso porque seus 106 degraus são ultra escorregadios. Hoje em dia, a cada vez que São Pedro molha Veneza, um policial é destacado para alertar os pedestres sobre o risco de escorregões. Não é genial?

 

Para saber mais (e ficar boquiaberto), dê uma olhada neste blog, cujo tome é um trocadilho excelente “Calatrava te la clava” (que quer dizer “Calatrava de dá uma facada”, no sentido financeiro da coisa). Também recomendo muito esta matéria do excelente Jordi Évole, o melhor jornalista espanhol da atualidade do programa Salvados.

 

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