9 motivos para viajar a Palermo agora

Barata, multicultural, repleta de atrações culturais e meio roots, a capital da Sicília está em ebulição

Tenho a sensação de que Palermo não tem a atenção que merece (como assim não está na lista do New York Times entre os 52 lugares para conhecer em 2018?). Com 680 mil habitantes, a capital da Sicília é uma joia rara na Europa. Principal porta de entrada para a maior ilha do Mediterrâneo, é uma cidade crua, autêntica, sem filtros, sem Starbucks. E, ainda que tenha muitos problemas por resolver, está em ebulição atualmente. Eis os motivos pelos quais você deveria incluir Palermo nos seus planos agora:

1. Ainda é barato

Com o euro nas galáxias, Palermo é um sopro de otimismo. Mesmo quem converte, se diverte. Veja bem: paguei €40 euros por dia por um apartamento AirBnb bem localizado e com ar condicionado em pleno mês de julho. Com €4 por um aperol spritz, praticamente jantei de graça aproveitando a famosa hora do aperitivo (em que os bares servem comidinhas com o drinque). Em restaurantezinhos locais indicados por amigos, conseguimos almoçar por €15 em duas pessoas. E, em um restaurante bom e elegante, a conta não passou de €35 por cabeça com vinho e sobremesa. Foi o destino mais barato da viagem pela Sicília.

 2. É a capital Italiana da Cultura

Em 2018 Palermo é a Capital Italiana da Cultura – um feito e tanto em um país que tem um patrimônio quase inigualável. A agenda para este ano teve mais de 1600 eventos, entre exposições, shows, mostras e performances. A cidade está on fire.

 

Exposição da Manifesta no Orto Botanico de Palermo

Exposição da Manifesta no Orto Botanico de Palermo (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

3. É um caldeirão cultural

Fenícios, árabes, gregos, normandos e muitos outros povos deixaram suas marcas na Sicília. Nas últimas décadas, a ilha também acolheu milhares de africanos e, ao contrário da Itália continental, mantém uma postura mais aberta e progressista diante da questão da imigração (recentemente, por exemplo, o prefeito de Palermo ofereceu o porto da cidade para receber o Aquarius, que levava 629 seres humanos a bordo, mas a Guarda Civil Italiana negou-se a escoltar a embarcação). Na capital, esse caldeirão cultural se faz notar com mais nitidez, seja na arquitetura, nas artes ou na gastronomia.

4. É um paraíso gastronômico

Arancini (bolinhos fritos de arroz), panelle (massinha frita de grão de bico), crochê (croquete de batatas), sardinha, massas inacreditáveis, pizzas, frutos do mar, verduras saborosas, os melhores tomates da sua vida, sorvetes, cannoli. Comer em Palermo (e em quase toda a Sicília) é uma experiência de vida.

Jardins de Palermo: selvas urbanas

Jardins de Palermo: selvas urbanas (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

5. Tem jardins inacreditáveis

O intercâmbio com o Oriente, a África e outras partes do globo ao longo dos séculos também trouxe plantas exóticas para a Sicília (até o limão siciliano, quem diria, é um forasteiro vindo da Ásia). Pelos jardins e praças de Palermo, você verá árvores do tamanho de cogumelos atômicos, palmeiras que são arranha-céus, trepadeiras a engolfar edifícios e outras belezas.

6. É sangue quente

As pessoas são o melhor da Sicília e, durante toda a viagem, me senti acolhida como um bebê no colo. Em Palermo não foi diferente. Do motorista do shuttle do aeroporto (dica de ouro: saia do terminal e encontre os carros à direita) que saiu da rota para me deixar mais perto de casa porque sacou que eu ia ter que atravessar o mercado de Ballarò com a minha mala, ao vizinho que puxava papo pela janela, só cruzei com pessoas abertas e amáveis.

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7. Não é perfeitinha, mas é segura

Já vi muita gente se queixando da sujeira e da pobreza visível de Palermo. É tudo verdade. Mas a cidade também tem uma dose de caos positivo, que a torna autêntica e espontânea. Em uma Europa cada vez mais padronizada e cheia de regras, é uma alegria ver gente fazendo churrasquinho na rua, ouvir música alta ao ar livre até tarde (é verão, minha gente!) e outras “subversões” (para padrões europeus) do gênero. Apesar da má fama da cidade em termos de segurança, me senti tranquila até andando por becos decrépitos. Segundo os locais com quem conversei, nos últimos anos a bateção de carteira deixou de ser um problema (não entrarei aqui nos méritos pouco ortodoxos utilizados para combatê-la).

O jeitão roots de Palermo

O jeitão roots de Palermo (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

8. Não é tão globalizada ou lotada de turistas

Palermo tem Zara e Mc Donald’s como praticamente toda grande cidade do planeta. Mas as vorazes redes internacionais ainda não conseguiram pasteurizar a principal artéria comercial do centro (a Via Vittorio Emanuelle) nem os bairros históricos, onde ainda sobrevive um pequeno comércio local e lojinhas de produtos artesanais. Os bares palermitanos também resistem bravamente à estética hipster e não há um restaurante de poke ou hambúrguer gourmet em casa esquina. Fora isso, a quantidade de turistas ainda é muito civilizada. Não peguei fila para nada em pleno mês de julho. Um bálsamo.

9. Tem atrações para encher vários dias

É uma pena encarar Palermo apenas como a porta de entrada da Sicília. Passei dois dias na cidade e achei pouquíssimo. Pretendo voltar, de preferência com menos calor, para ir mais fundo. Principal atração da capital, a Cappella Palatina é de fazer as pernas tremerem. O Mercado de Ballarò é, muito provavelmente, o mais apoteótico e roots da Europa Ocidental. Caminhando pela Via Vittorio Emanuelle, há uma quantidade desconcertantes de palácios, centros culturais e igrejas. Isso sem falar no Jardim Botânico, na catedral, nos becos labirínticos dos bairros de Kalsa e Albergheria e na quantidade asfixiante de museus interessantes. Fique mais.

O Mercato Ballarò pegando fogo

O Mercato Ballarò pegando fogo (Adriana Setti/Arquivo pessoal)

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