Porto Rico: de Viejo San Juan aos lugares ligados a Bad Bunny
Vielas charmosas, lindas fortalezas, casario colonial e os endereços que o maior astro porto-riquenho transforma em música
Porto Rico está na boca do mundo graças ao sucesso estrondoso que Bad Bunny vem fazendo em quase todo planeta. Depois do breve e antológico show no Super Bowl, e das referências da ilha que o músico trouxe para a apresentação, a curiosidade por Porto Rico foi atiçada ainda mais. A partir do Brasil, não há voos diretos, mas com a Copa é possível fazer uma conexão no Panamá e seguir até a ilha. A seguir, contamos um pouco sobre a sua história e como seguir os passos – e os ritmos – do seu filho mais famoso.
San Juan, a capital de Porto Rico, é um dos mais importantes hubs portuários do Caribe e recebe cerca de 1,5 milhões de cruzeiristas a cada ano. Muitos vêm de Miami, que está a duas horas e meia de voo de lá, e embarcam em navios que se destinam a algumas ilhas lindíssimas, como St. Barth, Virgin Gorda e St. John. Uma das grandes vantagens é o fato de os navios atracarem diretamente no cais que fica a poucos passos de Viejo San Juan, um dos centros históricos mais lindos das Américas.
Basta colocar o pé fora do navio para deparar com ruas de paralelepípedo e um casario do século 16 muito bem preservado, de quando a ilha era possessão espanhola e tinha papel estratégico. Naquela época, Porto Rico era a primeira ilha de tamanho considerável que os navegadores topavam quando vinham da Europa, um porto seguro em que era possível proteger seus galeões carregados de ouro e prata arrecadados das colônias do Novo Mundo e abastecer-se de água e alimentos. Por 350 anos a Espanha protegeu a entrada da Baía de San Juan com unhas, dentes, muitos canhões e uma muralha de quase 5 quilômetros.
O futuro ainda em votação
Na primeira metade do século 19, a Espanha passou a perder suas colônias. Porto Rico foi cedido aos Estados Unidos após a guerra hispano-americana em 1898. A ilha só ganhou o status de Estado Livre Associado aos Estados Unidos em 1952, o que significa que os porto-riquenhos são cidadãos americanos, ainda que não votem para presidente. Logo, o território tem autonomia administrativa interna, podendo eleger seu governador, mas continua subordinado ao Congresso americano
De leste a oeste, a ilha possui 180 quilômetros; de norte a sul, 65. San Juan é a capital, onde vivem cerca de 600 mil pessoas (na ilha inteira, 3,2 milhões). Os bairros com maior apelo turístico são Condado, que reúne muitos resorts à la Miami Beach, e o bem preservado centro histórico Viejo San Juan.
No centro histórico, olhar para dentro das casas é atividade obrigatória
Comecemos com uma voltinha pelo traçado colonial de Viejo San Juan. O menu é variado. Quanto mais próximas ao porto, maior é a quantidade de restaurantes e bares. Do porto você está a um pulo do Paseo de La Princesa, um boulevard ladeado por árvores e barraquinhas que vendem petiscos variados. Aqui já é possível avistar a muralha que contorna praticamente todo o centro histórico. Subindo a Calle Tanca, ou qualquer uma das suas paralelas, surge o gracioso casario. A Calle San Francisco é uma das principais ruas comerciais de Viejo San Juan, com muitas lojas de souvenires, joalherias e lanchonetes.
A Calle del Cristo reúne, veja o paradoxo, algumas das vitrines mais sofisticadas, com boutiques, joalherias, galerias e lojas como a Coach Outlet. Ainda na Cristo, merecem uma espiada, agora sim, a Catedral de San Juan Bautista, que guarda o túmulo de Ponce de León, o primeiro governador de Porto Rico, e o antigo convento das Carmelitas de 1651, hoje transformado no hotel de luxo El Convento. Mesmo que você não esteja hospedado, áreas como o pátio central e os espaços comuns do hotel costumam ser acessíveis a visitantes que vão ao restaurante Patio del Nispero. Subindo um pouco mais a Cristo você topa com a Calle Sebastián, que nas noites dos fins de semana lota de gente de toda a ilha em seus bares.
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O esporte de observar pessoas em seu habitat pode ser amplamente praticado. As casas são praticamente uma extensão da rua e muitas portas e janelas ficam abertas porque é a vida acontecendo. Eram tantas janelas e portas escancaradas que ficou difícil resistir ao “convite” de dar aquela espiada. Pairava no ar um cheiro de madeira e maresia, tão comum nas cidades históricas à beira-mar. Algo que lembra um pouco o cheiro de Paraty. De algumas casas vi apenas o teto reforçado com imensas vigas aparentes, de onde pendiam lustres de ferro. De outras, escadarias com detalhes em azulejo. Um encanto.
Continuando o walking tour na direção norte, em determinado ponto se avistam a muralha que cerca a cidade e o mar. Sinal de que você está chegando à Calle Norzagaray. À esquerda, já se vê a Fortaleza de San Felipe del Morro, a conhecida El Morro, que começou a ser erguida em 1539 e marca a entrada da Baía de San Juan. Nada obstrui a sua visão. Na frente há uma gigantesca esplanada, onde crianças soltam pipa e famílias fazem piquenique. A fortaleza tem seis andares, um farol e tudo está interligado por rampas. Para ir ao que interessa, suba direto ao nível 6, de onde se tem uma vista de 360 graus para o mar e San Juan. Depois, desça ao nível 4 por uma escadaria íngreme, na qual a construção forma uma espécie de proa.
Imperdível também a Fortaleza de San Cristóbal, que fica na outra ponta, seguindo pela mesma Calle Norzagaray. Enquanto El Morro protegia San Juan das investidas pelo mar, San Cristóbal foi erguida para inibir os ataques realizados por terra. O bacana ali é o longo sistema de túneis que leva a masmorras mal iluminadas. As crianças adoram.
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Porto Rico também é famosa por ter exportado a salsa. Bom, na verdade a origem é controversa, porque os cubanos também reivindicam a invenção. O fato é que se ouve o ritmo, misturado ao reggaeton, não só passando na frente dos bares de Viejo San Juan como também nas rádios.
Se precisar de um pretexto para deixar o Viejo San Juan, uma boa pedida é ir até Fajardo, onde está o El Conquistador Resort, que tem um campo de golfe e uma ilha privê. À noite, a boa é fazer o passeio na lagoa local, que tem algas bioluminescentes. Você vai curtir, mas aposto que vai querer voltar logo para o Viejo San Juan.
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A 65 quilômetros de Viejo San Juan, no vilarejo de Las Croabas, no município de Fajardo, fica uma das atrações mais bacanas de Porto Rico, a Baía de algas bioluminescentes. O fenômeno acontece quando a Pirodinium bahamese, uma alga microscópica, sofre uma reação química ao ser tocada, produzindo um flash. Os passeios só acontecem à noite e são feitos de barco ou caiaque. Optei pelo segundo.
Depois de breves instruções à beira da lagoa sobre como remar, desviar dos barcos e seguir sempre em fila indiana, vestimos coletes e montamos os caiaques em duplas. Assim que adentramos o manguezal, começou o breu. Lá pelas tantas o guia berrava: “Todos para a esquerda!” E lá vinha um barco a motor (elétrico para não poluir a lagoa) cheio de turistas. O passeio não é para amadores. Em vários momentos não consegui controlar o caiaque. Mas o cenário e a brincadeira de acender a natureza valem muito a pena. A Puerto Rico Activities e Bio-Island Boat Trip organizam os passeios.
Nos passos de Bad Bunny
Se existe alguém que transformou Porto Rico em trilha sonora global, esse alguém é Benito Antonio Martínez Ocasio, ou como é mais conhecido, Bad Bunny. O maior embaixador pop da ilha faz questão de cantar, filmar e mostrar suas raízes sempre que pode. Para quem quer explorar o país com uma trilha sonora tocando de fundo, dá para montar um roteiro misturando bairros vibrantes e endereços frequentados (ou citados) pelo artista.
SANTURCE
Se você tiver que começar por um lugar, comece pelo bairro Santurce. Citado com frequência nas letras e entrevistas de Bad Bunny, é ali que a arte urbana ocupa fachadas inteiras e o Museu de Arte de Porto Rico divide espaço com os murais coloridos.
Quando o sol se põe, a própria discografia já dá o roteiro. Em “Te Boté – Remix”, o cantor sugere um “perreo sujo na Placita”, aquele reggaeton bem sarrado. La Placita de Santurce, mercado centenário durante o dia, se transforma num grande encontro a céu aberto depois do pôr do sol, com bares como La Penúltima e La Alcapurria Quemá lotados. A poucas quadras dali, a Calle Loíza concentra bares, restaurantes e lojas independentes.
“Que prendan la’ máquina’, voy pa’ Santurce”, dispara em “DtMF”.
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VIEJO SAN JUAN
Bad Bunny já falou mais de uma vez sobre a importância de viver San Juan como local. No centro histórico, além das fortalezas e das ruas de pedra, vale olhar para bairros que passam por transformações aceleradas, como La Perla, destacado no projeto audiovisual “El Apagón”, em meio a críticas à desigualdade e à especulação imobiliária. Mas não se embrenhe sozinho, informe-se antes sobre a segurança.
O centro já foi lar do Café con Ron, aberto em 2025 e associado ao cantor. Batizado com o nome de uma faixa de Debí Tirar Más Fotos, o espaço funcionou por alguns meses como café e bar até fechar as portas em novembro.
CONDADO
“Ayer te vieron dizque en Fifty Eight con otro tipo”, canta em “Yo No Soy Celoso”, expressando seu ciúmes.
O verso faz referência à boate Fifty Eight, no subsolo do La Concha Resort, em Condado. O endereço é um ícone da noite porto-riquenha, com iluminação cênica, pista sempre cheia e muito reggaeton. Mesmo para quem não pretende dançar até o amanhecer, o bairro reúne hotéis, restaurantes e beach clubs que ajudam a revelar o lado mais cosmopolita de San Juan.
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PALOMINO
Na música “El Apagón”, Bad Bunny diz: “Pichea Maldiva’, yo me quedo en Palomino” – algo como “esquece as Maldivas, eu fico em Palomino”.
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