Mundo (ainda) animal

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Mundo (ainda) animal



Um grupo de sete baleias nada, com preguiça, a poucos metros do bote inflável. É época de acasalamento, e o que está acontecendo é um demorado ritual de sedução. Competente e seguro, o comandante manobra para se aproximar de um dos machos, que em volta da única fêmea solta seu jato de água e vapor. O motor é desligado, e a embarcação desliza, sem barulho. Bastaria esticar a mão para tocar esse couro brilhante e escuro. O grupo de turistas fica em silêncio, espantado pelo espetáculo desse animal de 50 toneladas que o observa, com um único olho fora d'água; num movimento elegante e cuidadoso, a baleia submerge, dando tchau com a cauda. As baleias são um excelente motivo para pegar o avião em Buenos Aires e voar 1 200 quilômetros até Puerto Madryn e a Península de Valdés - porém não o único.

É aqui onde começa a Patagônia argentina, território ainda virgem e pouco conhecido pelo turismo, o que permite viver e sentir a natureza sem intermediações, sem aquele viés comercial que, mais cedo ou mais tarde, sempre chega. Pode-se andar horas no Golfo de San José sem encontrar uma só pessoa, escutando apenas a fala das baleias e das lhamas. Visitar algumas das maiores pingüineiras do continente, observar de perto a vida selvagem de lobos-do-mar e elefantes-marinhos. Descobrir planícies cobertas de fósseis, praias brancas de conchas marinhas, bosques petrificados, pinturas rupestres. Atravessar em 4x4 ou a cavalo o deserto de pedra e vento ou mergulhar num dos mares mais azuis do planeta. Mas nem precisaria disso tudo. O pôr-do-sol patagônico, horas de céus vermelhos e amarelos se refletindo na superfície espelhada do golfo, vale, por si só, a viagem.

PUNTA TOMBO
Se um dia os pingüins resolvessem fazer um motim contra os seres humanos que os transformaram em enfeites bregas de geladeira, seu quartel-general seria Punta Tombo , a 180 quilômetros de Puerto Madryn. De setembro a abril, tem pingüim que não acaba mais - cerca de 1 milhão. É a maior colônia dessas aves fora da Antártica. Sim, você chega muito perto dos danadinhos, mas não pode tocá-los - mesmo porque eles bicam. O passeio inclui também visita à Gaiman, cidade com características galesas e charmosas casas de chá servindo deliciosos bolos e tortas. Vista sua camisa florida, pendure a máquina fotográfica no pescoço e informe aos posudos e elegantes pingüins que você faz questão de uma foto (de preferência autografrada) para colocar em seu álbum com a legenda "Eu e pingüim, Patagônia argentina". Todas as agências de Puerto Madryn organizam tours para o local, como a El Gualicho (25 de Mayo, 1 136, 47-4426) e a Argentina Vision (Av. Roca, 536, 45-1427).

 


Por: Andrés Bruzzone e Flávia Soares | Fotos: Divulgação
Matéria publicada na revista Viagem e Turismo Ed. 4 - 01/10/2005




 

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