Voando torto

Destino

Voando torto

Ela só queria ir de Lisboa para São Paulo. E acabou cortando caminho pela África do Sul, depois de um pulinho na Alemanha

Em maio deste ano emiti meu bilhete Varig para voar, dali a três Fmeses, de Lisboa, onde moro, para o Brasil. Logo depois começou a avalanche de notícias: primeiro um vôo cancelado, depois outro e mais outro... Uma semana antes da viagem, consegui uma recolocação num vôo que ia de Lisboa para a Alemanha, da Alemanha para os Estados Unidos e só então para o Brasil. Já estava de malas feitas e pronta para embarcar quando recebi uma ligação. Era da Varig. A United Airlines, que faria o vôo dos Estados Unidos para o Brasil, não estava aceitando endossar o bilhete. E eu, 12 horas antes de viajar, estava sem vôo em plena alta temporada na Europa. "Ou a senhora compra um bilhete em outra empresa ou desiste da viagem."

Depois de muita discussão, a proposta: voar para Frankfurt, de lá para Joannesburgo, na África do Sul, e só então São Paulo. Minha meia volta ao mundo durou 24 horas no ar, além de outras oito em conexões. E até que não foi tão mal. Aprendi, por exemplo, que os pingüins caminham 20 dias para acasalar no documentário A Marcha dos Pingüins. Só não imaginava que a minha volta também seria uma saga.

Um mês depois, cheguei ao aeroporto de Guarulhos seis horas antes para fazer meu check-in. Qual não foi minha surpresa quando a atendente me disse que a Varig só se responsabilizava pelos passageiros até Frankfurt, na Alemanha. E que, de lá, ofereceria no máximo trem para os que fossem a outros destinos, pois a Lufthansa e as demais companhias recusavam-se a embarcá-los. Detalhe: de Frankfurt a Lisboa seriam dois dias e inacreditáveis sete trocas de trem!

Tensa, mal consegui dormir no vôo. Para piorar, minha luz de leitura não funcionava, a poltrona não reclinava e a Varig não exibiu fi lmes. Desembarquei na Alemanha e corri para o balcão da Lufthansa. Dei sorte. Por algum motivo que até hoje eu desconheço, a empresa aceitou o meu bilhete. Azar tiveram os vários passageiros que vieram atrás de mim e tiveram de pagar o bilhete à vista para seguir no mesmo vôo. Aquilo não passou de uma irresponsável loteria.  


RACHEL VERANO já está programando sua próxima vinda ao Brasil, dessa vez via Tóquio, mas com uma passadinha também por Dubai
 


Por: Rachel Verano | Fotos: Ilustração - Nik
Matéria publicada na revista Viagem e Turismo Ed. 134 - 01/12/2006


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