Gorjetas africanas

Destino

Gorjetas africanas

A descoberta de um continente – e de um estranho costume nativo

Quando se pensa numa viagem à África, nove entre dez viajantes pensam na África do Sul. Mas há muito mais o que ver ao sul do continente - Zâmbia e suas Cataratas de Vitória são um exemplo. Chega-se a Livingstone depois de uma hora e meia de vôo de Johannesburgo. A cidade, capital da então Rodésia do Norte até 1935, não tem maior interesse a não ser pelo fato de ser a porta para as famosas Victoria Falls, uma das sete maravilhas naturais do mundo (segundo a placa no heliponto local). O hotel para hospedar- se é o The Royal Livingstone (suninternational.com), luxo e mordomia às margens do Rio Zambezi, onde se toma café-da-manhã entre zebras que pastam alheias às fotos e à excitação dos turistas.

Três dias é o mínimo para ficar lá. Além das cataratas, às quais se chega pelo jardim do hotel, encare um safári no lombo de elefantes ou de barco pelo rio, um vôo de helicóptero e, para os mais corajosos, asa-delta, rafting e bungee jumping. Reserve um dia para ver as cataratas do outro lado, na ex-Rodésia do Sul. Aproveite a hora do almoço para conhecer o Victoria Falls Hotel (victoriafallshotel.com), landmark de 1904 que já hospedou reis, presidentes, estrelas de Hollywood, enfi m, o who's who do século passado. Está muito bem conservado, com uma linda piscina pergolada que me faz lembrar os clubes de São Paulo da minha infância. Não deixe de ver as fotos de David Livingstone e Stanley (jornalista que saiu à procura dele) num dos salões. Não consigo resistir ao óbvio e me pergunto se não foi aqui, ainda selva fechada em meados do século 19, que Stanley pronunciou a célebre pergunta: "Dr. Livingstone, I presume..."

Um conselho amigo: tente não se incomodar com a insistência dos nativos para dar gorjetas o tempo todo. Ninguém havia me alertado para isso (e olha que sou rato de guias e revistas de viagens) e teria me estressado menos se fosse preparado. O fato é comum em países pobres, imagino que estrangeiros também sofram no Brasil, mas nunca havia visto carregadores praticamente assaltarem seu carrinho no aeroporto, fingindo que não entendem sua recusa pelo serviço não pedido, para levarem até a van, onde outro sujeito põe as bagagens no porta- malas, tudo com a complacência do motorista - no caso, o terceiro a ser "gorjeteado". Tivemos de passar por essa situação umas oito vezes - algo desagradável, menos pelo dinheiro e mais pelo constrangimento. Nos hotéis não é muito diferente: num deles, apareceu um segundo carregador para saber se o trabalho do primeiro tinha sido satisfatório...

Mas não se irrite. A viagem não sairá mais cara por isso. E você tem mesmo muitas razões para relaxar e aproveitar bem o sul da África.


RUI PORTO é publicitário, advogado, viajante e, principalmente, curioso pelas coisas do mundo 

 


Por: Rui Porto | Fotos: Ilustração - Silvio
Matéria publicada na revista Viagem e Turismo Ed. 134 - 01/12/2006


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