Saboroso, indeed

Está em Londres e tem libras sobrando para fazer uma extravagância? Nosso colunista indica um restaurante italiano que nunca sai de moda

Se Londres não se tornou exatamente uma barganha como Buenos Aires, a cotação da libra, em setembro a R$ 2,70, já não assusta os viajantes brasileiros como há alguns anos. Ir às compras e comer bem se tornaram atividades acessíveis e palatáveis ao nosso bolso. Depois de uma semana por lá, nada melhor do que terminar a viagem em grande estilo com um jantar elegante na companhia de ingleses chiques, discretos e que reservam mesa com antecedência. O escolhido foi o River Café (Thames Wharf Rainville Road, 44-20/7386-4200, www.rivercafe.co.uk), que, além de badalado, foi o lugar em que o chef-celebridade Jamie Oliver, que trabalhou ali como assistente de cozinha, foi descoberto por uma equipe de TV.

A localização, em Hammer-smith, a oeste da cidade, é meio fora de mão, mas compensa. O restaurante fica à beira do Tâmisa, tem um bem cuidado jardim e vista para a outra margem, onde está um lindo prédio vitoriano que serve de depósito da Harrods, a lendária loja de departamentos britânica. Cada prato custa, em média, £ 30. Ao lado do restaurante, fica o escritório do marido da chef, o arquiteto Richard Rogers, responsável por projetos como o Museu Beaubourg, de Paris, e o aeroporto de Barajas, em Madri, um dos mais bonitos do mundo.

Ruth Rogers agora comanda sozinha, depois da morte de sua sócia Rosie Gray, em fevereiro deste ano, uma das mais fiéis culinárias italianas fora da Bota. Os ingleses parecem querer recuperar o tempo perdido e a má fama adquirida por séculos de comida ruim, tornando-se especialistas em tudo o que se refere à culinária.

Meus quatro companheiros de mesa e eu fomos comensais dedicados. A sequência: presunto de Parma com melão charentais, salada de caranguejo de Devon com bruschetta de tomate, sopa minestrone com cinco legumes ao pesto genovês, salmão escocês com erva- doce e tomates assados, pudim com grapa italiana e framboesas inglesas. Receitas de preparo simples, sem espumas ou invencionices moleculares que disfarçariam o sabor dos ingredientes. Talvez resida aí o segredo do restaurante estar lotado há duas décadas. Tudo o que é servido parece ter nome e sobrenome, além da procedência anunciada com orgulho – afinal, estamos em terras da rainha. E se agora o sol já se põe em seus domínios, seus súditos passaram a almejar outras conquistas. E o comer bem e nobremente talvez seja uma delas.

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