Roteiro Rodoviário – Serra Gaúcha

Um caminho repleto de simpáticas e pequenas cidades, visuais incríveis e frio de bater o queixo

A partir da capital Porto Alegre, diversas rodovias levam para as regiões mais elevadas do estado, mas nenhuma tem o charme da BR-116, justamente a opção mais demorada de subida. Os primeiros 50 km não empolgam muito. Além de plano, é impossível não dividir a estrada com monstruosas carretas.Tudo começa a mudar quando surge no horizonte a pequena Estância Velha. É bem verdade que a estrada deixa de ser duplicada, mas esse é um fator que serve justamente para retirar muitos automóveis da via. Grandes visuais vão surgindo à medida que se ganha altura. Construções em estilo enxaimel aparecem sorrateiramente pelas curvas da estrada, intercalando com araucárias e outras árvores.As simpáticas germânicas Morro Reuter e Picada Café ficam pelo caminho e, no alto da serra, quando braços e pernas já clamam por um descanso, Nova Petrópolis entra em cena. A cidade é ideal para aquecer as turbinas de uma viagem pela Serra Gaúcha, onde a tentação do pecado da gula aparece em cada canto. Ainda mais em Nova Petrópolis, onde a fama é alcançada pela concentração de cafés coloniais. Depois de se empanturrar com bolos, tortas doces e salgadas, frituras, banha de porco, geleias e outros trocentos itens, a pedida é gastar a sola do sapato pela Avenida 15 de Novembro. Comprar malhas, visitar um parque que reconstitui uma antiga vila alemã ou encontrar a saída em um insólito labirinto estão no menu de opções da avenida.Seguindo viagem pela RS-020, distritos – chamados de linhas – que mais parecem parados no tempo separam Nova Petrópolis e Gramado (no verão, o caminho se enche de hortênsias). É quase impossível não parar no pórtico para a tradicional foto do vale do Rio Caí. Poucas cidades brasileiras conseguem atrair – sem causar atrito algum – casais em busca de um momento romântico e uma legião de famílias com suas crianças serelepes. Para agradar gregos e troianos, a receita é misturar pousadas aconchegantes, restaurantes à meia-luz e uma infinidade de atrações que só se encontra em Gramado, como o Mini Mundo, o Hollywood Dream Cars e o Super Carros. Reserve um lugar no estômago para provar a fondue servida nos restaurantes Belle du Valais e Le Petit Clos, casas estreladas pelo GUIA QUATRO RODAS.Muitos associam Canela a um bairro de Gramado. Ledo engano: apesar de separadas por apenas 8 quilômetros em uma via duplicada, Canela tem vida própria e muitas atrações naturais. Com 131 metros de altura, a Cascata do Caracol é a maior e mais famosa do Rio Grande do Sul. Descer os 750 degraus até a base é tarefa relativamente fácil. Mas para encarar a subida na volta, é necessário ótimo preparo físico. Deslizar por um trenó no Alpen Park e caminhar no Parque da Ferradura são outros programas a encantar os visitantes.Quem ainda não encontrou um típico gaúcho trajando bota, espora e bombacha, não escapará de vê-lo em São Francisco de Paula, um local perfeito para comprar artigos de couro e degustar um churrasco na vala, em que diversas partes da carne bovina assam por sete horas em uma vala aberta na terra.Seguindo ao norte pela RS-020, a paisagem muda drasticamente de forma. As árvores altas dão lugar a muitas pedras e uma vegetação mais rasteira – são os campos de altitude, lindíssimos de se fotografar em dias claros. Em pouco mais de uma hora de estrada surge Cambará do Sul, ponto de parada para explorar dois dos cânions mais famosos do mundo: o charmoso Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra e o dramático Fortaleza, no vizinho Parque Nacional da Serra Geral. Atenção: se o dia estiver fechado, não vale a pena ir aos cânions, há grande chance de não conseguir admirá-los e as estradas de acesso ainda são de terra.Se Cambará do Sul é famosa pelo frio, RS-020 avante, São José dos Ausentes atrai turistas pela possibilidade da neve. O Cânion do Monte Negro é o ponto culminante do estado. Sua subida é bem simples e nos dias mais abertos do ano, que costumam ocorrer no inverno, bem ao fundo consegue-se ver o litoral catarinense. As hospedagens aqui são feitas em rústicas fazendas com contato muito próximo dos proprietários.Hora de atravessar para o outro lado da serra, explorando o  território mais fortemente colonizado por italianos. Para abrir essa etapa do roteiro, vale a pena passar um ou dois dias curtindo o colorido casario de madeira de Antônio Prado – são 48 construções que serviram de cenário para o filme O Quatrilho (1995). Entre São José dos Ausentes e Vacaria, a estrada é bem tranquila, depois é necessário encarar 20 km na movimentada BR-116, até entrar à direita na RS-122 e seguir rumo a cidade.Contrastando com a tranquila Antônio Prado, Caxias do Sul é a maior e mais moderna cidade serrana. Entretanto, não é difícil observar os traços da colonização italiana, legada na Igreja de São Pelegrino, nas galeterias espalhadas pela área central e em uma ou outra construção de época. Nas cercanias da cidade, visitar cantinas e casas de madeira e pedra é um programão.Quem se comportou bem até aqui na viagem, pode se soltar um pouquinho, mas só um pouquinho em Bento Gonçalves e Garibaldi, afinal a tentação de experimentar o maior número de vinhos no maior número de vinícolas possível será enorme. Quem dispõe de pouco tempo, pode apostar nas visitas a Salton, Miolo e Casa Valduga. Entre as duas cidades, o restaurante Casa di Paolo serve o melhor galeto do país, segundo o GUIA QUATRO RODAS.LEIA MAIS:Inverno de A a ZFotos de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul

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