Por que as livrarias de aeroportos são sempre iguais?

A curadoria de títulos de uma livraria de aeroporto bem que poderia render uma história policial

Eu nunca viajo sem um livro na mão – aliás, desde o lançamento do Kindle, nunca viajo com menos de 100 livros na mão, já que a maquininha é capaz de armazenar o que, para mim, parece ser uma infinidade de títulos.

Mas todo rato de leitura, como eu, sabe que é impossível resistir a uma livraria, mesmo que seja em um país de idioma desconhecido, e isso inclui as lojas instaladas nos aeroportos.

A primeira coisa que chama minha atenção quando entro em um desses lugares é a dificuldade para identificar direito as obras. Quase acredito que existam artistas gráficos especializados em fazer “capas para livros que vão parar nas lojas dos aeroportos” – e isso vale para qualquer parte do mundo.

Nos Estados Unidos, acho impossível definir o que é o que entre aquelas centenas de pocket books, com capas de fundo escuro, tipologia brilhante e a promessa de uma trama de aventura ou mistério.

Os romances também parecem ser padronizados. Nem falo apenas da trama da mocinha-que-enfrenta-dificuldades-e-passa-por-vários-perrengues-até-encontrar-o-amor-verdadeiro, mas das letras iguais, das cores iguais e daquele fundo que você não sabe muito bem se é ilustração chinfrim ou foto meio brega.

Então vem a seção de “autoajuda profissional ou financeira”, promessas para você se dar bem com títulos que usam em profusão palavras como “liderança”, “sucesso”, “influência” e “resultados”.

Até que faz sentido: muitos passageiros viajam a negócios e sabe-se lá se no intervalo de um voo não terão aquele insight que os levará à diretoria da empresa.

Aí surgem as prateleiras de palavras cruzadas, revistas e, hoje em dia, até livros para colorir (imagino quantos Kandinsky não podem ser revelados durante uma turbulência).

Para mim, as livrarias de aeroporto acabam sendo apenas uma diversão antes do embarque. Mas parece óbvio que, se estão ali, é porque esses gêneros fazem sucesso entre os viajantes.

E não existe nada errado em gostar de best-sellers ou de crônicas leves. Outro dia, no Santos Dumont, vi uma coleção quase completa da Agatha Christie em formato de bolso.

E se não comprei foi porque já li quase tudo.

Gabriela Erbetta entrou na Laselva, seguiu até o caixa, abriu a bolsa e... (foto: arquivo pessoal)

Gabriela Erbetta entrou na Laselva, seguiu até o caixa, abriu a bolsa e… (foto: arquivo pessoal)

Texto publicado na edição 241 da revista Viagem e Turismo (novembro/2015)

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