Se deu ruim no paraíso, a boa hotelaria salva

Um casal, uma ilha na Tailândia e cinco dias de temporal sem sair do hotel. Por sorte, um SENHOR hotel.

Tinha tudo para ser um sonho. Cinco dos meus 20 dias de férias no Sudeste Asiático seriam dedicados ao dolce far niente a dois em uma praia idílica da Tailândia. Escolhi a Ilha Koh Samui pelos tons de azul do mar, por ser vizinha de outras ilhas desertas boas para mergulho e porque em dezembro, vi no Google, já teriam acabado as monções no Golfo da Tailândia.

Como eu tinha economizado na passagem aérea – Bangcoc por 700 dólares! –, investi em um hotel pé na areia pra só ter trabalho de me rastejar do quarto pro mar e, de lá, pra piscina de borda infinita.

Perfeito? #SóQueNão.

O céu começou a nublar logo que o avião pousou e foi um entardecer sem pôr do sol. As boas-vindas das recepcionistas do hotel Napasai, apesar dos paparicos com toalhinhas úmidas e chá de capim-limão, também me desanimaram quando perguntei do tempo.

“Estava lindo até hoje. Vamos torcer para o temporal mudar de rota.” Temporal? Pensamento positivo, disse ao meu com-panheiro. Na dúvida, demos um tibum no mar e na piscina quando já era quase noite.

Na manhã seguinte, abro as janelas do quarto e me sinto em um barco. Não aquele long-tail deslizando no azul, como eu tinha fantasiado, mas um Titanic no olho do maremoto, em meio a um céu cor de chumbo e águas amarronzadas.

Pegamos os guarda-chuvas e seguimos ao café da manhã investidos de esperança. Podia ser pior: lembrei de um feriado de chuva em Maresias, em uma casa desconfortável, com amigos barulhentos, crianças infernais, cheiro de cachorro molhado vindo do próprio.

E foi então que eu me dei conta de quão furada pode ser aquela máxima de que, se um destino for incrível, menos relevante é o conforto do hotel – afinal, você vai passar o dia na rua. Pois eu usufruí de tudo o que o Napasai oferecia: ioga, academia, massagens, aulas de culinária e até de muay thai.

Dormi, comi, bebi, li e papeei um bocado – que bom, nessas horas, viajar bem acompanhado. No último dia, quando a van do hotel driblou a enchente, deu até pra conhecer uns templos – e pude agradecer a Buda a praia que eu não curti e, também, a chuva.

Texto publicado na edição 258 da revista Viagem e Turismo (abril/2017)

(Divulgação/Divulgação)

Daniel Nunes Gonçalves é jornalista de viagens e relata os seus périplos no site samesame.com.br.

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