13 hotéis no meio do mato para levar as crianças nas férias

De lodges na Amazônia a hotéis no Pantanal, veja hospedagens para resgatar seus filhos do mundo virtual, aproximá-los da natureza e passar férias em família

Em tempos de tecnologia intuitiva, de comunicação remota, de entretenimento na palma da mão, o meio físico enfrenta uma concorrência pesada pelo interesse das novas gerações. “Muitas crianças não sabem brincar se não houver tecnologia envolvida”, diz Sheila Leal, psicopedagoga especializada em desenvolvimento infantil.

Ela faz um alerta. “Crianças de até 7 anos têm pouca capacidade para compreender conceitos abstratos, então faz diferença que elas vejam com seus olhos aquilo que aprendem nas aulas de ciências e brinquem nesse ambiente”, explica. “Brincar não é algo sem sentido, é explorar, conhecer, concretizar uma série de informações neuronais que estão sendo criadas”.

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Para Kelly de Marchi, educadora ambiental da ONG SOS Mata Atlântica, esse distanciamento enfraquece a conexão dos pequenos com a natureza. “Às vezes uma criança que mora em São Paulo só conhece o Tietê e o Pinheiros”, diz. “Que relação ela vai ter com os rios?”

A solução, claro, passa pelos pais. São eles que, com tempo adequado, crianças em offline e meio ambiente à disposição, podem dar uma cara diferente às férias, despertando nos bacuris a curiosidade e a admiração pelo nosso instigante planeta – e pelos outros também se vocês observarem o céu e as estrelas!

A seguir, confira 13 hotéis e pousadas cheios de atividades “kids friendly” na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica, além dos sempre divertidos hotéis-fazenda, para você e a sua família se conectarem de verdade.

Hospedagens lúdicas na Amazônia

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Cristalino Lodge – Alta Floresta (MT)

Crianças que curtem animais vão enlouquecer nessa reserva às margens do Rio Cristalino, no sul da Amazônia. São 30 km de trilhas em sete roteiros de níveis fácil a intermediário.

No rio há canoagem e passeios de barco e, nas alturas, as duas torres de observação a 50 metros do solo permitem avistar muitas das 586 espécies de aves.

Macacos, antas, ariranhas e árvores como castanheiras, mogno e palmeiras estão no radar dos guias, todos locais e treinados.

Juma Amazon Lodge – Autazes (AM)

A 100 km de Manaus, o hotel erguido sobre palafitas promove 14 atividades para adultos e crianças. No passeio de canoa por igarapés, guias nativos levam os viajantes aos meandros da Amazônia.

Há também o clássico tour para o encontro dos rios Negro e Solimões, mais focagem de jacarés, caminhada pela floresta com identificação das plantas comestíveis e medicinais, contemplação do nascer do sol, bate-papo sobre as tradições ribeirinhas, piquenique na mata e visita à casa de um morador da floresta, que ensina a fazer farinha de mandioca.

Veja também

Hotéis para crianças no Pantanal

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Fazenda 23 de março – Aquidauana (MS)

A 220 km de Campo Grande, é uma opção mais reservada para curtir a natureza em família. São apenas 6 quartos para no máximo 18 ocupantes.

Nos passeios com guias pantaneiros, as crianças observam pássaros e fazem o “farm tour” a pé para encontrar capivaras e conhecer a criação de cabras.

A programação tem ainda pescaria, trilhas, safáris diurno e noturno para ver a fauna, “roda de tererê” e focagem de jacarés. A cavalgada pelos alagados (de 1 a 5 horas) é indicada para maiores de 8 anos.

Pousada Pequi – Aquidauana (MS)

Rústica e aconchegante, a pousada em Aquidauana tem apenas 10 quartos. Há criação de gado, atividade que os hóspedes conhecem em tours de charrete, na ordenha das vacas, nas cavalgadas e na lida da boiada, ao lado dos peões da fazenda.

Guias locais monitoram a parte ecológica, como o passeio de barco pelo Rio Aquidauana, as caminhadas e os safáris.

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Zagaia Eco Resort – Bonito (MS)

Com uma área equivalente a 60 campos de futebol , o Zagaia tem e infra de resort – duas piscinas, quadras de tênis e de vôlei -, mas também diversas trilhas, uma delas para um lago com balanço sobre as águas.

Os pequenos podem ainda fazer pescaria e focagem noturna de animais na propriedade, habitat de tamanduás-bandeira, tatus, cotias, corujas… Monitores cuidam de crianças a partir dos 5 anos.

Refúgio da Ilha – Miranda (MS)

Quase metade dos hóspedes dessa pousada é de famílias com crianças, que têm a opção de fazer caminhadas ecológicas mais fáceis.

Os pequenos também aproveitam os passeios de barco e canoa pelo Rio Salobra (sempre com colete salva-vidas) e as cavalgadas em cavalos mansos com equipamento de segurança.

Sesc Porto Cercado – Porto Cercado (MT)

Ensina mais sobre o bioma pantaneiro do que um ano todo de ciências na escola. Aprende-se sobre geografia e biologia do Pantanal em um espaço interativo, sobre borboletas em um viveiro com 3 mil exemplares e sobre insetos tanto numa coleção com 4 500 espécimes quanto no formigueiro com tubulações transparentes em que se vê a organização das formigas.

Natureza afora há passeio de barco pelo Rio Cuiabá, caminhada para observação de aves, trilha suspensa de 3 km sobre a floresta e focagem de animais – atividades cobradas a parte.

Hotel de Cerrado ideal para levar crianças

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Pousada do Parque – Chapada dos Guimarães (MT)

Dentro do parque nacional, tem várias trilhas privativas e nenhuma restrição para crianças: há desde rolês fáceis de 15 minutos até de 3 horas para cavernas com pinturas rupestres.

De dezembro a julho, a Cachoeira do Éden cria uma piscina natural. Para ir além, diversos passeios pela Chapada (pagos à parte) saem diariamente da pousada.

Hotel na Mata Atlântica perfeito para seus filhos

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Mata N’ativa – Trancoso (BA)

Ideal para fugir dos resortões, tem só 12 suítes para até 4 pessoas cada uma, é toda cercada por vegetação da Mata Atlântica e não se furta ao estilo rústico-chique de Trancoso.

Saguis visitam o grande jardim, mas o melhor está nos passeios, como o de caiaque pelo Rio Trancoso, as cavalgadas guiadas, os roteiros de bike adaptados para os pimpolhos e as aulas de surfe na Praia dos Nativos (pagos à parte).

De junho a outubro há observação de baleias.

Hotéis-fazenda em São Paulo e Rio que são kids-friendly

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Dona Carolina – Itatiba (SP)

Para os pais que não têm pique para acompanhar os filhos em todas as atividades na natureza, a fazenda se sai com recreação o dia todo para crianças maiores de 3 anos. Elas fazem trilhas, pesca, arvorismo, piquenique na mata, passeio de trator, de caiaque, ordenha, visita à horta e caça ao tesouro.

A propriedade, de 1872, produzia café e foi uma das pioneiras do movimento abolicionista, história narrada num tour que mostra a igreja de 1890 e a casa-sede de pau a pique, onde são contados “causos”.

Ibiquá Eco Resort – Avaré (SP)

Às margens da Represa de Jurumirim, excede a boa infra de piscinas, campos, quadras e recreação com esportes náuticos na imensa barragem – a maior de SP – e na trilha de 1 km que leva ao Projeto Proteger, dedicado a recuperar animais silvestres.

Os guias conhecem a história de cada bicho, como jabutis, araras, papagaios e macacos. As crianças têm ainda contato com índios da aldeia Tekoá Porã, que apresentam músicas e rituais.

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Fazenda Capoava – Itu (SP)

A menos de 100 km de SP, a Capoava passou por um projeto de reflorestamento e tem uma equipe de biólogos que realiza várias atividades com as crianças.

No Rally, elas plantam árvores, vencem um atoleiro e atravessam um lago a nado. Na Trilha da Aventura, crianças e adultos saem em busca de pegadas de animais, instalam câmeras e depois as recolhem para ver o registro dos bichos. Já na Trilha do Conhecimento, feita à noite, os pequenos vão atrás de anfíbios e répteis.

Fazenda União – Rio das Flores (RJ)

No Vale do Paraíba, a fazenda guarda o mobiliário original do casarão de 1836. Para apresentar a antiga senzala, uma funcionária veste trajes de época, e durante o Sarau Afro os hóspedes assistem a danças do período da escravidão.

Pensada para receber famílias, a União tem copa para bebês e monitores para crianças a partir de 4 anos. Os pequenos fazem arvorismo, passeiam de carruagem, andam a cavalo e alimentam animais como pavões e patos, além de visitar o galinheiro e participar da ordenha. Uma trilha fácil de 3 km leva ao mirante.

 

Da cidade para o mato

Como aguçar nos guris o gosto pela natureza

  1. Dentro de casa, incentive e promova atividades lúdicas que não envolvam TV, tablets ou smartphones.
  2. Por meio de livros infantis e da internet, apresente os pequeninos desde bebês ao mundo silvestre, mostrandoos sons que os bichos fazem, como vivem, o que comem.
  3. Habitue-os a se exercitar nas brincadeiras e leve-os para passear no parque e na praça próxima de casa.
  4. Faça piqueniques.
  5. Conte de onde vêm e como são obtidos na natureza os alimentos de que eles mais gostam.
  6. Seja o mediador das primeiras experiências com o meio selvagem: pais transmitem segurança aos filhos.
  7. Exponha-os aos poucos à natureza, sem forçar o interesse deles, mas de forma positiva e afirmativa, instigando-os a experimentar cheiros, formas, sabores.
  8. Não tenha receio de se embrenhar no mato, de sujar os pés na lama, de lidar com animais da roça, já que a atitude dos pais tende a se refletir nos filhos.
  9. Mostre como é agradável pisar descalço na grama, brincar na areia, mexer com a terra.
  10. Brinque muito com eles na água para que tomem gosto pelo mar, pelos rios e pelas cachoeiras.
  11. Leve-os para alimentar animais da fazenda, tirar leite da vaca, colher frutas e plantar árvores.
  12. Faça trilhas leves e, durante o passeio, conte histórias para distraí-los, faça brincadeiras de interação com a natureza e use a criatividade para mantê-los motivados.

Ela é mãe de três e viaja pelo mundo com os filhos

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

“Tenho três filhos, com 11, 6 e 2 anos. Com o mais velho já fui para o Vietnã e o Nepal, e com ele e o do meio (então com 9 meses) fiz o Vale do Pati. Temos uma mochila para transporte de crianças, e meu marido leva a mais nova nas costas, enquanto eu carrego os pertences. As crianças nunca levam peso.

Até os 3 anos nós os carregamos. De 4 a 5 não dá, e eles não conseguem andar muito. Depois dos 6, fico mais tranquila para fazer algo o dia todo. Levo protetor, repelente, água, bolachas, frutas, chocolate e, para distrair, lápis de cor, bolinha de sabão, brinquedos de montar, cartas, tudo pequeno.

Se for esfriar, tem de levar agasalho; se for chover, capa. Eles não têm a nossa resistência. A gente brinca, canta e, quando eles cansam, paramos, mostramos um bicho e vamos indo.

O bom de viajar assim é poder estar com eles. Cansa o corpo, mas renova a cabeça e faz com que as crianças percam medos e frescuras.” – Paula Oliveira, da Pisa Trekking

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