Guia da Babymoon: tudo que você precisa saber para viajar grávida

Moda entre as celebridades, as viagens de babymoon servem para o casal descansar e curtir momentos a dois antes da chegada do bebê

Tirar férias durante a gestação virou tendência entre as famosas. Kate Middleton foi para Mustique antes do nascimento do príncipe George; Gisele Bündchen pegou praia em Miami; e Kim Kardashian passou uma temporada em Paris com o marido. 

Glamour à parte, essa mistura de baby com honeymoon nada mais é do que uma viagem feita por casais “grávidos”, encaixada em algum momento entre os enjoos no início da gestação e a enorme barriga que antecede o parto.

Enquanto alguns futuros papais preferem curtir momentos românticos e relaxantes antes de terem suas vidas viradas de cabeça pra baixo, outros investem em conhecer um destino que não seja tão legal para ir com crianças.

Há também quem aproveite a babymoon para fazer as compras de enxoval ou fotografar a futura mãe em cenários especiais.

O importante é que a viagem siga o ritmo da gestante – e não represente nenhum risco para a saúde dela ou do bebê. Além de estar com o pré-natal em dia, é fundamental conversar sobre seus planos de viagem com o obstetra.

Entre esses e outros cuidados, veja abaixo dicas essenciais para planejar a sua viagem de babymoon.

Para onde eu vou?

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

– 1° Trimestre

Até a 7ª semana, é possível que a mulher não apresente nenhum sinal de gravidez. Mas, pouco tempo depois, é provável que note oscilações de humor, enjoos, sono excessivo e dores de cabeça. Entre a 8ª e a 11ª semana, o corpo também começa a se expandir, ocasionando possíveis dores nas costas.

Por esses motivos, o doutor Sérgio Floriano alerta: “Nos primeiros três meses, a gestante está mais suscetível a sentir mal-estares que possam dificultar a viagem, como queda de pressão, vômitos e intolerância a alguns cheiros e alimentos”.

Como é também nesse período que acontecem 80% dos abortos espontâneos, a recomendação geral dos médicos é evitar viagens muito longas.

“Para que elas não passem por nenhuma decepção, também desaconselho minhas pacientes a fazer qualquer grande compra de enxoval durante o primeiro trimestre”, acrescenta o ginecologista e obstetra Paulo Nowak.

Mas, salvo exceções, as grávidas estão liberadas para tirar férias próximas de casa e fazer exercícios físicos leves, como natação e caminhada.

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

– 2° Trimestre

É o melhor momento para fazer uma babymoon! Primeiro, porque o risco de aborto espontâneo diminui drasticamente: de acordo com o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (Acog), o período entre as semanas 18 e 24 é o mais seguro para a gestante viajar.

Segundo, porque a essa altura os enjoo começam a melhorar e a disposição e o apetite aumentam.

Terceiro, porque a barriga ainda não está grande demais a ponto de atrapalhar a movimentação – é até recomendável que as grávidas aproveitem essa fase para nadar, caminhar e fazer atividades aeróbicas de baixo impacto.

Sendo assim, não é à toa que a maioria das mulheres considere o 2º trimestre de gravidez o mais prazeroso. Se o desejo é viajar para o exterior ou para um destino nacional mais longínquo, a hora é essa!

“O período realmente é ótimo para viajar e não há restrições de destino. Se a mulher estiver acostumada, não há problema em pegar um voo mais longo”, explica Nowak.

Ainda assim, é importante que a viagem siga o ritmo da grávida, que não será o mesmo de antes. Da 19ª à 25ª semana, é normal que a futura mãe aumente muito de peso, sinta falta de ar e comece a ter o sono prejudicado por azias e desconfortos.

– 3° Trimestre

Na reta final da gestação, voltam a valer as recomendações do 1º trimestre. Entre as semanas 27 e 30, é esperado que as gestantes sintam cansaço e passem por oscilações de humor novamente.

Como o bebê está num estirão de crescimento, a mulher pode chegar a engordar meio quilo por semana e, por isso, fica difícil manter o equilíbrio e fazer exercícios vigorosos – caminhadas, hidroginástica e ioga são recomendadas.

O ideal é que, nesse período, as viagens sejam feitas de carro e para lugares próximos, de preferência em horários com pouco trânsito. Assim, fica fácil voltar caso haja necessidade.

“Mas, a partir da 35ª semana, é melhor a grávida não aprontar mais”, brinca Nowak. Dali até o final da gestação, o feto já está grande o suficiente para pressionar os órgãos, de forma que as futuras mães sentem dor, falta de ar e dificuldade para dormir. Também é comum ter contrações de treinamento.

E como eu vou?

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

– De avião

Verifique qual a política da companhia aérea para o transporte de gestantes. A maioria não tem restrição até a 27ª semana de gestação, mas passa a exigir um atestado médico depois disso, como é o caso da Azul e da Latam.

Já a Gol pede uma declaração de responsabilidade a partir da 28ª semana, e o atestado, só entre a 36ª e a 37ª – depois disso, a gestante poderá embarcar apenas com acompanhamento de um médico responsável.

Em seu site, a própria Gol aconselha que a gestante reserve um assento próximo da asa, onde a estabilidade durante o voo é maior, e no corredor, o que facilita as frequentes idas ao banheiro.

“Como a grávida tem mais chance a ter trombose, o ideal é que ela possa se levantar a cada duas ou três horas para caminhar”, acrescenta o doutor Sérgio Toledo. Outra dica é utilizar meias compressoras para evitar inchaço e fazer pequenos exercícios de alongamento durante a viagem.

– De carro

O atual Código de Trânsito Brasileiro não faz nenhuma restrição sobre grávidas dirigirem, mas vale ouvir a opinião do seu obstetra a respeito. Segundo Paulo Nowak, o recomendado é que a mulher pare de guiar na estrada depois da 36ª semana, e na cidade, após a 38ª.

Como motorista ou passageira, o cinto de segurança é indispensável e deve estar posicionado abaixo da barriga.

Para evitar inchaços e cãibras, a gestante deve fazer paradas estratégicas a cada uma ou duas horas para caminhar, ir ao banheiro e comer.

Se a mulher estiver como passageira, também vale fazer pequenos movimentos circulares com os pés dentro do veículo. Antes de partir, não se esqueça de preparar uma bolsa com lanchinhos e água para o caso de aperto.

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

– De navio

Geralmente, as armadoras de cruzeiro não permitem que mulheres com mais de 24 semanas de gestação embarquem.

É o que acontece na Costa, que, antes disso, também exige a apresentação de um atestado com a liberação de um médico para a viagem. Já a MSC coloca a 23ª semana como limite e também pede a autorização do doutor.

O maior desafio nesse tipo de viagem é o enjoo. Antes de reservar a viagem, peça para o seu médico receitar um remédio contra náuseas e considere que as cabines centrais e inferiores do navio balançam menos. Saiba também que passar a maior parte do tempo no deque superior ajuda: se ficar enjoada, tente fixar o olhar na linha do horizonte.

Por fim, prefira as cabines com cama de casal, já que as camas de solteiro em navios costumam ser estreitas – portanto, desconfortáveis para as gestantes.

Decidiu ir pra praia?

(Veridiana Scarpelli/Viagem e Turismo)

Veja os cuidados especiais que a gestante deve ter no litoral, típico destino de babymoon:

– Grávidas estão predispostas a ter manchas na pele (os chamados melasmas), e o sol tende a agravar o problema. Capriche no protetor solar e invista em chapéus de aba larga e saídas de banho de mangas longas.

– Períodos longos sob o sol podem provocar desidratação. Procure ficar o maior tempo possível na sombra e tome bastante líquido.

– Até o último mês de gravidez, não há nenhum problema em entrar no mar. No entanto, ficar na parte rasa é uma boa forma de se prevenir contra quedas e outros acidentes.

– Durante a gestação, a mulher está mais vulnerável a desenvolver candidíase, que, assim como outras infecções vaginais, pode estar relacionada a um parto prematuro. Para não aumentar esse risco, evite ficar com o biquíni molhado muito tempo.

– Repelente é indispensável. Procure fórmulas que contenham icaridina, IR3535 ou Deet, cuja concentração deve ser de 10% a 50%.

Texto publicado na edição 258 da revista Viagem e Turismo (abril/2017)

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