Como é o novo Parque Nacional do Pau-Brasil, em Porto Seguro

Meca dos aficionados por sol e noitada, Porto Seguro conta agora com uma área de 190 km² de Mata Atlântica preservada, à disposição dos fãs do ecoturismo

Folha seca de três pontas do tamanho de uma mão em primeiro plano, com densa floresta tropical atrás e ao redor

(Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Árvore vista de baixo, com as folhagens das árvores ao redor borradas

(Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Vista da mata fechada, com cerca de vinte tipos diferentes de plantas

(Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

 

Porto Seguro sempre foi o queridinho entre os destinos brasileiros para quem adora um litoral quente e luminoso praticamente o ano inteiro – incluindo aí o efervescente circuito noturno, com shows musicais nos clubes de praia da orla norte e os agitos da Passarela do Álcool, no simpático Centro da cidade.

Graças a esses atributos, a região recebe quase 1,5 milhão de visitantes todos os anos e é o terceiro principal destino do Nordeste. Mas, atenção, amantes do turismo ecológico de todas as idades: Porto Seguro também é para vocês.

A menos de meia hora do burburinho das praias, o Parque Nacional do Pau-Brasil acaba de abrir as portas aos turistas. Incrustado entre os vilarejos de Arraial d’Ajuda e Trancoso as duas joias da coroa desse pedaço do litoral sul baiano , o parque deixa de ser uma área reservada apenas para estudiosos.

Desde outubro passado, o lugar conta com um cardápio de atividades que inclui roteiros para grupos de observação de aves, tirolesa e arvorismo, mirantes, cachoeiras, áreas estruturadas para camping e roteiros para caminhadas e pedaladas.

Muitas trilhas são equipadas com deques de madeira que permitem acesso fácil e seguro a pessoas com mobilidade reduzida, inclusive cadeirantes.

O nome, naturalmente, não é casual. Pelas trilhas, disponíveis nos seus 190 quilômetros quadrados de Mata Atlântica preservada, é possível admirar uma grande concentração de exemplares da árvore com que a frota de Pedro Álvares Cabral deparou, em 1500, e que acabaria batizando o país. A maioria ultrapassa os 40 metros de altura, e muitas podem ter até mil anos de idade.

O tour pela grande novidade da área começa no bem montado Centro de Visitantes, logo à entrada do parque. Depois de identificar-se na portaria e pagar o ingresso único (17 reais por pessoa, sem necessidade de agendamento), o turista tem seis trilhas de trekking à disposição.

Todas são bem sinalizadas, não é preciso ter guias e monitores por perto para se virar bem. O trajeto desde a portaria até o início delas pode ser feito em um micro-ônibus ou mesmo bike dá pra alugar as magrelas por lá mesmo.

As trilhas são leves e curtas, com até 1 500 metros de extensão. Mas levam a lugares incríveis. Uma delas segue até o Mirante do Pau-Brasil, à beira de um boqueirão de 180 metros de altura, de onde se pode avistar boa parte da imensidão verde de Mata Atlântica que cobre a região.

 

Ave à vista

Um bicho-preguiça olhando para a câmera, esalando verticalmente um tronco não muito grosso de árvore em meio à mata

A rica biodiversidade do parque inclui bichos-preguiça e pássaros (Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Entre uma caminhada e outra, o espetáculo da fauna local. É possível topar com algum vagaroso bicho-preguiça equilibrando-se nos galhos de árvores imensas, como jueranas, sapucaias e parajus, em meio a cipós conhecidos como “escada de macaco”. No chão, tamanduás-mirins, quatis, antas e pequeninas pererecas não são difíceis de encontrar.

E há raridades. Espécies em vias de extinção entre elas, o papagaio-chauá, o macaco-guigó e a gigantesca harpia sobrevivem na floresta protegida. O parque também é um dos poucos lugares em que se pode avistar a harpia (ou gavião-real), que é a maior águia das Américas. Suas asas podem medir, de ponta a ponta, 2 metros, e uma fêmea chega a pesar 8 quilos.

Os observadores de aves, aliás, fazem a festa. Na área, já foram catalogadas 225 espécies 41 delas endêmicas, só encontradas no parque. Basta caminhar lentamente, ficar bem atento e ir preparando a máquina fotográfica. Entre os pássaros mais avistados estão sabiás-pimenta, corrupiões, jandaias-de-testa-vermelha, beija-flores, saíras e tangarás.

Três ciclistas, desfocados por conta da alta velocidade, pedalam em direção à câmera por uma trilha no meio da floresta

Para os mais dispostos e preparados, as trilhas de bike chegam a ter 40 quilômetros de extensão (Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Para a turma das bikes, além do aluguel, o parque oferece roteiros predeterminados para amadores e experimentados. A agência de ecoturismo Bahia Active empresa privada que obteve direito de explorar o filão no parque disponibiliza esses passeios pelas trilhas.

Os grupos podem ter, no máximo, dez pessoas. Há percursos de 20 a 40 quilômetros, com variados graus de dificuldade de trilhas leves e inteiramente planas até caminhos íngremes, que exigem bom condicionamento físico. Todos os pacotes dão direito a bike equipada com câmbio e capacete, lanche de trilha, água, isotônico e acompanhamento de guias.

O parque atraiu o interesse de atletas de alto nível de mountain bike de 25 países. A mais recente edição da maior prova dessa modalidade nas Américas, a Brasil Ride, aconteceu lá dentro. Durante uma semana, também em outubro do ano passado, 500 ciclistas disputaram, metro a metro, as sete etapas da competição, no meio da exuberância da mata e pelas mesmas trilhas agora abertas aos turistas.

 

Rio Brasil

Curso de rio ladeado por pedras altas, com uma pequena cachoeira ao fundo

Em roteiros mais amenos, dá para seguir o curso do Rio da Barra (Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Curso do rio em meio à floresta. O rio está em nível bem mais baixo que o chão e as árvores, e há um homem fotografando do alto de uma ponte

E tirar algumas belas fotos (Luciano Candisani/Viagem e Turismo)

Natureza e história caminham juntas nessa região desde sempre. O Parque Nacional do Pau-Brasil abriga a nascente do Rio da Barra, que também já foi chamado de Brasil pelos primeiros portugueses era uma referência cartográfica aos desbravadores europeus na nova colônia.

Essas e outras curiosidades históricas da região estão à disposição dos turistas no Centro de Visitantes, inclusive com mapas históricos, que mostram os pontos geográficos dali em detalhes. Com eles em mãos, é possível entender, por exemplo, como funcionava a exploração indiscriminada do pau-brasil, vítima da primeira atividade extrativista do país.

Além do Parque Nacional do Pau-Brasil, Porto Seguro abriga também o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e muitas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Essas áreas, como o nome indica, estão em propriedades privadas, e conservam porções de floresta nativa intactas.

Algumas também são abertas aos turistas. É o caso da Rio do Brasil, que proporciona passeios de canoa até a costa. Ou a RPPN Estação Veracel, que recebe grupos de estudantes e, especialmente, observadores de aves.

Em meio a tanta natureza em estado bruto, a visita ao Parque Nacional do Pau-Brasil oferece vantagens de sobra. Além de conhecer um trecho ambientalmente protegido e quase intacto da história do país, com segurança e boa infraestrutura, o ecoturista amador ou profissional pode encerrar a pequena aventura curtindo o dolce far niente em frente ao mar.

Que ninguém é de ferro.

Texto publicado na edição 257 da revista Viagem e Turismo (março/2017)

 

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