5 dúvidas sobre falhas no trem de pouso

Carlos Camacho, diretor de segurança de voo do sindicato dos aeronautas, explica o que fazer para garantir uma aterrissagem sem complicações

1. Em setembro, um avião da TAM teve problemas com o trem de pouso de nariz (frontal) antes de aterrissar em Nova York. As rodas insistiam em descer na transversal, e só na aproximação final à pista baixaram corretamente. O que provocou esse mau funcionamento?

Acionado por um sistema hidráulico, o trem de pouso é um mecanismo de hastes que mantém as rodas alinhadas com o eixo da pista e do avião. “Se uma dessas hastes empaca ou quebra, o trem de pouso abre na transversal”, diz Carlos Camacho, diretor de segurança de voo do sindicato dos aeronautas.

2. Se a torre não alertasse o piloto, ele saberia da falha?

Não. Por isso, há o protocolo: quando um voo se aproxima, os operadores verificam com binóculos se as asas do avião estão na posição correta, se o trem de pouso está alinhado…

3. E o que o piloto faz quando fica sabendo do problema?

“Primeiro, deve descer e subir repetidamente o trem de pouso para ver se a falha se resolve”, diz Camacho. “Caso o trem não fique alinhado e o piloto tenha de pousar nessas condições, ele dará voltas no ar para queimar combustível e diminuir os danos em caso de acidente.”

4. É um pouso arriscado? Quais são os danos?

Segundo Camacho, o piloto tem totais condições de controlar o avião. “Alinhado à pista, ele inicia a descida com o nariz do avião elevado e a menor velocidade aceitável. Quando o trem frontal encostar no chão, o pneu voará e o aro metálico terá contato direto com o solo. Nessa hora, o piloto deve manter a direção do avião estável, controlando os freios do trem de pouso principal”, diz. “Na pista, os danos não são significativos, e os aeroportos estão prontos para fazer reparos imediatos. O JFK ficaria fechado por uma ou duas horas, enquanto os engenheiros restaurariam a pista com um material de aplicação rápida.”

5. E se o trem nem baixar?

“É possível pousar o avião de barriga e com segurança. Com o metal se arrastando no chão, o barulho na cabine é grande, mas em 40 anos eu não conheço nenhum caso do tipo com vítimas. O próprio atrito da fuselagem freia o avião, que finaliza o pouso em uma área da pista previamente inundada de espuma, abafando um eventual incêndio. Além disso, esse tipo de incidente é bem raro. É quase impossível que em um avião moderno o trem de pouso não abaixe”, diz Camacho.

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