ERROS FATAIS
Deslizes comuns que devem ser evitados para não transformar a viagem de negócios em um desastre para o relacionamento entre empresa e funcionário
Por Margareth Boarini
Quando se trata do dinheiro dos outros, todo cuidado é pouco. Mas, se você viajar a trabalho – portanto, às custas da empresa –, essa preocupação deve ser redobrada. Não se discutem aqui situações de má-fé, que pertencem à área policial, mas deslizes involuntários que, se não evitados, podem transformar uma viagem de negócios em fator de desgastes com a empresa e terminar por vezes até em demissão. Veja o que aconteceu com um executivo de uma multinacional (por questão de sigilo trabalhista, concordamos em não divulgar o nome). Ele tinha uma viagem de negócios na África que coincidia com seu período de férias. Para ganhar dos dois lados, requisitou a sua viagem via Amsterdã e justificou ter negócios por lá. Deu um enorme trabalho para o agente construir a rota requisitada, até porque certos lugares da África não têm conexões fáceis. Mas o executivo insistiu, e afinal conseguiu a aprovação para a emissão da passagem. Na volta, ao prestar contas, várias coisas chamaram a atenção: o valor estratosférico do bilhete, o trajeto complexo e injustificável e o fato de ter tido direito à classe executiva – regalia incompatível com a posição que ocupava na empresa. Houve então uma apuração interna, que concluiu que a tal “necessidade” da rota via Amsterdã não existia, e menos ainda a reunião que justificou o desvio de percurso. Moral da história: o funcionário perdeu o emprego e ainda teve de restituir o dinheiro das férias na Europa.
Por vezes, as viagens viram pretexto para passar a perna nos planos de saúde contratados pelas empresas. O certo, em situações de doença, mal-estar ou ocorrência médica, é ligar para a empresa contratada no local visitado e solicitar que indique um médico ou clínica. Assim, o viajante não vai pagar pelo serviço, ou terá direito ao reembolso na volta. Mas alguns passageiros não adotam esse procedimento e depois tentam obter o reembolso. Um caso desses ocorreu em uma viagem à América Latina. O viajante foi cobrar a conta da própria empresa, já que o plano de assistência se recusava a pagar. Constavam em seu processo quatro recibos de tratamentos dentários diferentes. “Será que ele teve o azar de precisar extrair, emergencialmente, um de cada vez, os quatro dentes do siso nessa viagem?”, pergunta, irônica, a fonte desta história, mas que pede anonimato.
Bagagem extraviada é motivo de aborrecimento para qualquer viajante. Mas pode, para alguns, tornar-se sinônimo de oportunidade – quase sempre sem direito a um final feliz. Foi o que ocorreu com um passageiro, em viagem a negócios, que teve sua mala perdida. Após um mês de buscas, sua bagagem não foi localizada. Ele precisou então abrir um processo de reembolso junto à companhia aérea, como é a praxe nesses casos. Um dos itens do documento pedia a descrição do conteúdo da mala e o valor aproximado. Na lista apresentada pelo viajante constavam artigos “básicos”, como dois ternos Armani, seis diferentes frascos de perfumes importados (evidentemente ainda lacrados), duas canetas Montblanc top de linha, cinco camisas de grifes famosas e duas abotoaduras de ouro, entre outros apetrechos de luxo refinado. O fato não espantaria tanto se esse viajante fosse o presidente ou um importante diretor da empresa. Só que ele era um técnico de manutenção de obras. Que evidentemente perdeu o emprego e, pior, jamais conseguiu ser reembolsado.
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