Série verão na Europa, parte 3: Formentera, a irmã mais bonita e low profile de Ibiza, na Espanha

Formentera é um milagre. Do porto da frenética Ibiza – onde estão as maiores baladas do mundo, as pessoas mais loucas do mundo, as praias mais badaladas do mundo e o povo mais fashion do mundo – você pega um barco e, em menos de uma hora, é teletransportado para uma ilha onde a paz reina. E sabe o que mais? Formentera dá de dez em Ibiza em termos de belezas naturais.

Esta ilhota, a menor do arquipélago das Baleares, na costa leste espanhola, tem vinte quilômetros de praias e 7 mil gatos pingados vivendo em sua superfície. Para atravessá-la de ponta a ponta, leva-se menos de meia hora em uma motoca de 50cc (o melhor meio de transporte para Formentera, que pode ser alugado por cerca de 20 euros ao dia). Com um pouco de disposição, dá pra fazer tudo em bici, suando a camisa apenas em sua extremidade mais alta, onde a imensidão azul do Mediterrâneo pode ser avistada do topo de falésias impressionantes.

Esta blogueira de motoca no Farol de Barberia, ícone do filme Lucia e o Sexo, que fez a ilha ficar conhecidinha

A areia da praia é branca e fofa e o mar consegue a proeza de ter o azul mais fosforescente entre as Baleares. Uma coisa de louco. É dificílimo escolher a praia mais guapa. Mas arriscaria dizer que a Ses Illetes, ao norte, é hours concours. Como o nome já diz (em ibizenco, um dialeto do catalão), a faixinha de areia estilo açúcar é pontilhada por ilhotas aonde dá até pra chegar a pé. O mar é uma piscina.

A caminho de Ses Illetes…

Sabe deus como, estando a apenas 6 quilômetros de Ibiza, a pop star do Mediterrâneo, Formentera conseguiu chegar aos dias de hoje meio na moita. Por mais que a ilha lote nos meses de julho e agosto, a quantidade de gente que baixa por ali está longe de poder ser classificada como uma muvuca. É simples. A ilha tem pouquíssimos hotéis – bem carinhos – e é proibido acampar oficialmente.

Por oficialmente quero dizer: com barraca, colchonete e fogareiro. Aos durangos e/ou aventureiros, resta dormir na praia, em cavernas ou nos bosques. Ao relento. Eu mesma já fiz isso. Em tempos menos prósperos, estava passando o verão em Ibiza na casa de alguns amigos e, cansada daquele climinha hype, resolvi fugir por um ou dois dias a Formentera em pleno agosto. Como era impossível conseguir um hotel em cima da hora, acabei dormindo na praia. Achei tudo tão incrível (inclusive o fato de virar homeless por alguns dias sem a menor encanação) que os dois dias viraram dez. Transformei um barco abandonado em closet, me vali da minha cara de gringa para tomar uma chuveirada ou outra na piscina dos hotéis e assim fui levando. No verão passado, dois amigos “moraram” três meses numa caverna.

No extremo oposto desse clima de paz, amor e pessoas dormindo na praia, muita gente também vem sem reserva de hotel… e dorme no seu próprio iate. Eles são inúmeros ao redor da ilha, principalmente nas proximidades de Ses Illetes.

Que Formentera seja low profile, porém, não quer dizer que a ilha não tenha um certo agito. Tem sim. Mas é uma coisa light, pé na areia, onde o povo dos iates convive pacificamente com os homens das cavernas. No fim da tarde, todo mundo se dirige a Es Cavall d’en Borras para ver o lindo pôr-do-sol no mar no Tiburón ou no Big Sur. Outra baladinha relax rola no Blanco, na praia de Mitjorn.

A ilha ficou mais conhecidinha depois de servir de cenário para o filme erótico-surrealista Lucia e o Sexo, do diretor Julio Medem. Mas a quantidade de visitantes tem aumentado a cada ano por causa do bom e velho boca-a-boca. É impossível voltar de Formentera e não empolgar mais alguns amigos com os relatos de viagem. O falatório parece ter sido especialmente animado na Itália. Arriscaria palpitar que oito de cada dez turistas que desembarcam na ilha no verão vêm do país da bota. Meno male que isso ainda não aconteceu na China.

Veja um trechinho do filme Lucia e o Sexo, ambientado em Formentera, abaixo:

Como chegar: os barcos saem de Ibiza diariamente pelas companhias Balearia e Iscomar.

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